Manifestantes tomam as ruas do Haiti, erguem barricadas em chamas, e exigem a renúncia do presidente Jovenel Moise

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Foto: AFP via Getty Images

Os manifestantes marcharam pela capital do Haiti, Porto Príncipe, exigindo a renúncia do presidente Jovenel Moise, na última sexta-feira (15). O temor da população é que ele promova seu segundo mandato por decreto.

Centenas de pessoas na capital, Cap-Haitien, Jacmel, Saint-Marc e Gonaives foram às ruas em apoio à oposição, enquanto dezenas de manifestantes entraram em confronto com a polícia.

Andre Michel, da coalizão de oposição Setor Democrático e Popular, pediu a renúncia de Moise no mês que vem e as eleições legislativas para reiniciar um Parlamento que foi dissolvido no ano passado.

“A prioridade agora é estabelecer outro sistema econômico, social e político”, disse Michel em meio a barricadas de pneus queimados no Haiti. “Está claro que Moise está querendo se manter no poder.”

Eles afirmam que o mandato de cinco anos de Moise, iniciado quando o mandato do ex-presidente Michel Martelly expirou em fevereiro de 2016, está agora legalmente encerrado. Moise diz que seu mandato começou quando ele realmente assumiu o cargo no início de 2017, uma posse adiada por um processo eleitoral caótico que forçou a nomeação de um presidente provisório para servir durante o período de um ano.

Os apoiadores internacionais do ecoaram as preocupações da oposição e convocaram eleições parlamentares o mais rápido possível.

Eles foram originalmente programados para outubro de 2019, mas foram adiados por impasses políticos e protestos que paralisaram o país, forçando escolas, empresas e vários escritórios do governo a fechar por semanas.

Alguns membros da comunidade internacional também condenaram vários decretos de Moise. Um deles limitou os poderes de um tribunal que audita contratos governamentais e acusou Moise e outros funcionários de peculato e fraude envolvendo um programa venezuelano de fornecimento de petróleo.

O possui mais de 11 milhões de pessoas e tem se tornado cada vez mais instável sob Moise, que recebeu mais de 50 por cento dos votos, mas com apenas 21 por cento de comparecimento.

O ainda está tentando se recuperar do devastador terremoto de 2010 e do furacão Matthew que atingiu em 2016. Seus problemas econômicos, políticos e sociais se aprofundaram, com o ressurgimento da violência de gangues, a inflação em alta e alimentos e combustível cada vez mais escassos em um país onde 60 por cento da população ganha menos de 2 dólares por dia.

Um dos países mais pobres do mundo (*)

Faz 217 anos que o se tornou a primeira nação independente da América Latina. É a república de população majoritariamente negra mais antiga do mundo. No continente americano como um todo, foi a segunda república a se formar, atrás apenas dos Estados Unidos.

Tudo isso aconteceu após uma liderada por escravos. Essas conquistas são motivo de orgulho para uma nação que, há muitos anos, também encabeça rankings dolorosos.

O é o país mais pobre da América e um dos mais pobres do mundo, segundo o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional.

Analisar a situação atual do Haiti, implica em conhecer a sua história, que nos ajuda a entender como a intervenção externa influenciou, desde o século XV, o desenvolvimento haitiano. Seu passado colonial, quando esteve a serviço do enriquecimento da França, fornecendo madeiras para construção de barcos, servindo de entreposto para o tráfico de escravos, produzindo açúcar mais barato e mais rentável do que aquele produzido nas terras continentais, lhe rendeu o apelido de Pérola das Antilhas, por ser a responsável, em 1790, pela geração de 2/3 de toda a riqueza da França.

A história haitiana passou a ser um exemplo a ser combatido, e o melhor a fazer para a manutenção do desenvolvimento capitalista das colônias: isolar o país para que nunca se formasse como uma nação plena.

Após anos de embargo, em 1825, um pacto entre as classes dominantes (latifundiários haitianos e francesa) para aumentar a no Haiti, uma “dívida de independência”, como forma de indenização às perdas sofridas pelos colonizadores. Essa dívida significou para o Haiti uma subordinação da economia nacional aos interesses do capital estrangeiro, e para a representou o necessário para investir na modernização de sua economia e colocá-la em patamar de competição com a economia inglesa.

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* Com informações do artigo Cooperação Internacional e a disputa do desenvolvimento no Haiti, de Livia Morena, Mestre em Desenvolvimento Territorial na e Caribe pelo Instituto de Políticas
Públicas e Relações Internacionais/IPPRI/UNESP, para a Revista Nera.

Mídia1508

A 1508 é um coletivo de jornalismo independente anticapitalista, dedicado a expor as injustiças sociais brasileiras e a noticiar as mobilizações populares no Brasil e no mundo.

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