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Professores do Rio de Janeiro decidem entrar em greve pela vida

Assembleias das redes municipal e estadual votam contra o retorno das aulas presenciais. A greve pela vida, aprovada por mais de 80% da categoria, demonstra o descontentamento dos profissionais.

Protesto da educação contra as Reforma da Previdência em 2019 / Foto: Rafael D. - Mídia1508

Nessa sexta-feira (31/07) e nesse sábado (01/08), em assembleia virtual, professores do município e do estado do votaram majoritariamente a favor da pela vida. A greve pela vida é uma reivindicação das redes privadas e públicas contra o ensino presencial diante do cenário de pandemia.

O contexto geral da no é de abandono. O atual ministro da educação é desconhecido pela classe educacional, e o ministro anterior, fonte de vergonha. A educação nacional, que vive um momento de enfrentamento ao negacionismo da ciência, sente-se inserida no retrocesso. 

Entre as distâncias do ensino privado e público, a pela vida ganha força, já que a bandeira de monitoramento da na cidade do está no amarelo, e em várias cidades periféricas no vermelho. O posicionamento dos governos municipal e estadual, determinando a reabertura das escolas, coloca em risco a vida dos profissionais da educação e dos estudantes.

A pela vida, aprovada por mais de 80% da categoria, demonstra o descontentamento dos profissionais da educação com o atual governo do Rio de Janeiro, que vive um momento conturbado de processo de impeachment do governador Wilson Witzel. O que parece é que a determinação de abertura das escolas serve mais para atender a imagem pública do governador, que tenta mostrar trabalho, do que a educação em si.

Importante ressaltar, que durante a assembleia do sindicato, diversos profissionais questionaram a forma que está sendo aplicado o ensino remoto. Apesar de existirem plataformas públicas, já utilizadas por outras instituições de ensino estaduais, a secretaria de educação do estado do Rio, representada pelo secretário Pedro Fernandes, utiliza plataforma privada.

Além disso, a obrigatoriedade de cumprimento de carga horária na plataforma do Google sobrecarrega o professor, que muitas vezes se vê tendo que permanecer em frente ao computador por 10 horas seguidas, causando problemas de não só físicos, mas mentais. Com adesão de menos de 30% do alunado, os educadores se encontram ameaçados quanto a redução salarial, caso não realizem o ensino remoto.

Completando quase 7 anos com salário congelado, o profissional de Educação do adoece enquanto testemunha o processo de falência do Estado. Com grande parte dos alunos sem acesso ao ensino remoto, a educação do Rio de Janeiro, no contexto de pandemia, é excludente por que não contempla o corpo docente e discente.

Carina Blacutt

Carina Blacutt é filósofa e professora da rede estadual de ensino do Rio de Janeiro, mestre em Estética e Filosofia da Arte pela UFRJ, integrante do coletivo Filósofas na Rede, do sindicato SEPE Costa Litorânea e colunista de educação da Mídia1508.

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