Movimentos negros e de periferia protestam contra a violência policial em Cidade Tiradentes, zona leste de São Paulo

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Foto: Jornal A Verdade

Na tarde do último sábado, dia 04 de julho, a periferia saiu às ruas novamente em denúncia da violência policial e do racismo de Estado, desta vez na Cidade Tiradentes, zona leste de São Paulo.

é o bairro onde se morre mais cedo em São Paulo: a expectativa de vida é de apenas 57 anos, 23 anos a menos que a de Moema em São Paulo, que é de 80 ano segundo o Mapa das Desigualdades de 2019.

Em organizado por 15 coletivos, do movimento negro e frentes populares, manifestantes reivindicaram respostas para a morte de cinco jovens assassinados pela e para a falta de acesso à na zona leste de durante a pandemia.

O ato “Vida Pretas Importam” relembrou as recentes mortes pelas mãos da PM de cinco adolescentes: Paulo Gabriel, Leonardo Monteiro, Felipe Santos Miranda, Brayam Ferreira dos Santos e Igor Bernardo dos Santos, todos com idade entre 16 e 18 anos.

A manicure Ana Paula Bernardo dos Santos, 45, mãe de Igor Bernardo, 17, morto em 18 de março, esteve presente. Segundo ela, o filho foi morto com quatro tiros por ter sido confundido com outro jovem da região que teria roubado uma moto.

Ana acredita que o assassino seja um policial, que não estava fardado no momento do crime. Ela levou o caso à Ouvidoria da Militar, mas até o momento não sabe se há uma investigação sobre o ocorrido.

“Esse é uma forma de mostrar que muitos jovens têm morrido. Hoje sou eu que choro e amanhã é outra mãe, já vi muitos casos acontecerem e nunca temos uma resposta”, afirma ela, que vive há 30 anos em Cidade Tiradentes.

Os manifestantes carregavam cartazes com os nomes dos jovens que foram mortos, além das frases “vidas pretas importam” e “parem de matar os nossos filhos”, entre outras.

Segundo Katiara Oliveira, articuladora da Rede de Proteção e ao Genocídio, que ajudou a organizar a manifestação, fazer o ato dentro dos bairros atingidos por mais violência policial, apesar de não reunir milhares de pessoas como em protestos na Avenida Paulista, faz mais sentido para a comunidade.

“Essas pessoas estão sofrendo e precisam ver o ato de perto, ver que a vizinha está lá com a camiseta do filho dela, que ela pode demonstrar sua solidariedade”, afirma. “As quebradas que têm mais violações de direitos são as que mais têm medo e necessidade de organização para transformar esse medo em revolta.”

A rede criou em abril a campanha Fala Quebrada, com um formulário para enviar denúncias anônimas sobre abusos policiais.

Segundo dados divulgados pelo governo de João Doria (PSDB), publicados no Diário Oficial, o número de “mortes decorrentes de intervenção policial” envolvendo a PM subiu 54,6% em abril, já com a quarentena em vigor. Foram 116 casos contabilizados, ou seja, um a cada seis horas. Esta é a maior quantidade de mortes registradas para o mês desde que este tipo de estatística foi criado. É também o segundo maior número de vítimas da PM para um único mês, superado apenas por maio de 2006 — quando houve o histórico massacre policial após ataques do PCC (Primeiro Comando da Capital).

O aumento da violência policial já vinha ocorrendo antes da pandemia. Na comparação entre janeiro e março deste ano com o mesmo período do ano passado, a elevação no número total de mortos por policiais militares no estado de foi de 23,2%. Em 2019, 28 morreram após supostas resistências a PMs de folga, e outras 179 pessoas tiveram a vida tirada por um policial em serviço.

Mídia1508

A 1508 é um coletivo de jornalismo independente anticapitalista, dedicado a expor as injustiças sociais brasileiras e a noticiar as mobilizações populares no Brasil e no mundo.

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