Repressão e prisão ilegal na Marcha do Orgulho LGBTQIA+ e Stop Bolsonaro

Foto: Bruno Kaiuca

No último domingo (28), manifestações contra o governo de Jair aconteceram em diversas cidades pelo Brasil, nas redes sociais e em mais de 20 países ―como Espanha, Itália e Alemanha. Os atos enfatizaram a ameaça que representa o político de extrema direita e seu projeto genocida, assim como a falta de uma resposta efetiva por parte do Estado brasileiro à pandemia de coronavírus ―que até sábado (27) já deixou mais de 57.000 mortos e 1,3 milhão de contagiados no país, de acordo com os dados oficiais.

No Rio de Janeiro, ativistas e movimentos sociais tomaram as ruas de Copacabana, zona sul da cidade, em um ato que unificou a Marcha do Orgulho LGBTQIA+ e o “Stop Bolsonaro” (em português, ”Parem Bolsonaro”). Os participantes do começaram a se concentrar na orla, em frente a estátua da Princesa Isabel, por volta das 15 horas. Logo antes da concentração, já havia um forte aparato da Polícia Militar e da Guarda Municipal protegendo a estátua. A Mídia1508 esteve ao vivo ao longo de todo ato.

Foto: Bruno Kaiuca.

A manifestação permanecia parada no calçadão até que a repressão decidiu agir e prendeu ilegalmente uma manifestante, aparentemente, por “porte de megafone” ou coisa do tipo. Uma outra mulher, que se revoltou contra a arbitrariedade, também foi agredida pelos agentes com golpe de coronhadas e spray de pimenta. Os policiais tentaram prender ainda o advogado André de Paula, militante histórico da cidade e representante da FIST (Frente Internacionalista dos Sem Teto), que não permitiu, invocando as prerrogativas da sua profissão. Não satisfeitos, os PMs decidiram “confiscar” sua carteira da OAB e o “convidar” a ir buscá-la na delegacia.

Foto: Bruno Kaiuca.

O ato decidiu então rumar para a 12ª DP, na rua Hilário de Gouveia, também em Copacabana, pra onde foram levados a companheira detida e o documento de De Paula. Os manifestantes permaneceram em frente a delegacia entoando palavras de ordem contra a Polícia Militar até ambos serem liberados, o que só aconteceu por volta das 20h30.

Os dois foram enquadrados por “desobediência” e “descumprir o decreto contra aglomeração”, mesmo com todos os participantes do ato usando máscara, álcool em gel e buscando manter um distanciamento mínimo entre si. Curiosamente, não houve qualquer notícia de autuações por esses motivos em nenhuma das várias manifestações pró-Bolsonaro realizadas ao longo dos últimos meses no bairro, nas quais todas essas recomendações sanitárias foram sistematicamente ignoradas.

Foto: Maurício Campos

A atuação persecutória e enviesada da polícia provocou indignação nas redes sociais. “Onde já se viu uma pessoa ser DETIDA por usar um megafone gente? Onde já se viu um advogado da OAB ter sua carteira confiscada?” questiona o jovem ativista Dante Rohr.

“Eles estão arrumando e inventando qualquer desculpinha esfarrapada para prejudicar ativistas de forma completamente ideológica e parcial. Não temos mais uma polícia militar temos um poder paralelo a serviço do Bolsonarismo que trata opositores do governo como inimigos, uma espécie de devoção e lealdade a um governo autoritário que empoderou ideias absurdas, dando liberdade para os fascistas serem fascistas de forma tranquila e escancarada” denuncia.

Na avaliação da professora e militante anarquista Camila Jourdan, o que esse episódio mostra é que a proibição de aglomerações só vale quando é para proteger os interesses do governo:

“Você pode aglomerar, se você tem que trabalhar, pra garantir o lucro do patrão, no transporte público, todos os dias. Você pode aglomerar, se você é privilegiado, na mureta da Urca, apenas porque não está nem aí pra vida de ninguém. Você pode aglomerar, pra consumir, nos shoppings da vida, mantendo o capital girando. Você pode aglomerar, se é um fascista e quer defender seu líder com sua política de morte. Você só não pode aglomerar se for em uma manifestação contra o governo. Do que se segue que a lei contra aglomerações é a melhor invenção do estado de exceção contemporâneo para suspender de vez as liberdades políticas”, conclui.

Foto: Bruno Kaiuca.

Erick Rosa

“Só serei verdadeiramente livre quando todos os seres humanos que me cercam, homens e mulheres, forem igualmente livres, de modo que quanto mais numerosos forem os homens livres que me rodeiam e quanto mais profunda e maior for a sua liberdade, tanto mais vasta, mais profunda e maior será a minha liberdade.”
— Mikail Bakunin

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