Hoje, dia 27 de novembro, completa onze meses da execução do ativista de direitos humanos Pedro Henrique Cruz Souza, de 31 anos. Policiais Militares são acusados pelo assassinato do ativista que denunciava a no sertão baiano.

Quase um ano depois, a única novidade sobre o caso é que a polícia civil concluiu o inquérito policial e encaminhou ao Ministério Público (MP) indiciando dois policiais militares por homicídio qualificado. O promotor ainda não se pronunciou – se oferece a denúncia ou não – porque está realizando outras investigações, sob sigilo, inclusive para identificar o terceiro atirador. Os familiares e amigos permanecem apreensivos com a falta de respostas, o crime já vai completar um ano no dia 27 de dezembro e os assassinos de Pedro Henrique continuam livres e impunes.

Os dois policiais indiciados são: Bruno de Cerqueira Montino e Sidnei Santana Costa.

No dia 27 de dezembro, em , será realizado o “Tributo Pedro Vive”, um evento de reggae, o estilo musical que Pedro gostava, com a participação de bandas musicais baianas e muitas homenagens serão feitas à memória do jovem ativista.

O crime aconteceu na madrugada do dia 27 de dezembro de 2018, em , cidade de 50 mil habitantes, nordeste baiano. Três policiais militares foram acusados por uma testemunha de ter executado o ativista, que denunciava a na cidade. A denúncia foi feita no dia 4 de janeiro à Corregedoria Geral da Secretaria de Segurança Pública da (SSP-BA). A testemunha afirma que reconheceu os autores pelas características físicas e tom de voz, chegando a citar o nome de dois policiais militares da cidade.

Os policiais citados pela testemunha foram Bruno Montino e Sidnei Santana, agora indiciados pelo MP.

Os PMs eram conhecidos por realizar de forma sistemática abordagens violentas à vítima e dois dias antes da execução, intimidaram Pedro Henrique em um mercado local. O terceiro policial, segundo a testemunha, apesar de não participar das abordagens, estava sempre em companhia dos outros policiais.

Mãe da vítima, a professora Ana Maria Cruz, de 53 anos, não abandona a esperança de conseguir justiça. “Três meses se passaram, uma realidade que não se pode mudar é o fato de Pedro estar morto. Seus assassinos, já identificados, estão livres e impunes, mas esta é uma realidade que pode ser mudada. A pergunta é: quando os assassinos de Pedro serão presos, julgados e condenados pelo crime brutal e covarde que cometeram?”, questionou nas redes sociais no dia 27 de março, data em que a morte completou três meses.

As abordagens e agressões da PM se estendeu inclusive para a GCM (Guarda Municipal), que o abordava com violência e ameaças. Essas abordagens foram registradas e denunciadas para a ouvidoria do município. Segundo sua mãe, na Caminhada da Paz em 2018, um cantor fez uma música que era uma chamada da manifestação com o título “Tucano pede paz, por favor não mate mais outro rapaz”, fala sobre a violência policial na cidade e isso despertou a ira dos policiais.

Relato da mãe de Pedro:

“Logo depois da caminhada Pedro sofreu uma abordagem em que os policiais perguntaram se ele era o ‘cantorzinho‘. Depois da caminhada 2018 as abordagens se intensificaram, Pedro chegou a ser abordado pela PM três vezes num único dia. A última abordagem grave foi em outubro de 2018. Pedro fez uma publicação no Facebook denunciando que policiais estavam invadindo diversas casas no bairro Nova Esperança, onde morava. Quinze minutos depois, policiais chegaram na casa dele, enquanto ele começava a trabalhar em casa e iniciava um de tatuagem em um cliente. Invadiram a casa, forçaram ele a abrir com armas em punho e apontando. Encontraram cinco pés de maconha no quintal dele, porque Pedro era usuário de erva, ele não comprava, ele plantava para usar. Arrancaram os pés e levaram ele preso para a cidade de Euclides da Cunha. Em Euclides da Cunha ele foi autuado em flagrante por tráfico. Quando o juiz recebeu essa comunicação, o juiz declarou ilegal a prisão de Pedro em menos de 24 horas, anulou o flagrante e descaracterizou o crime de tráfico para o crime de uso, e determinou que ele fosse liberado imediatamente. Pedro foi liberado e inclusive muitas pessoas disseram para ele ir embora da cidade, porque os policiais continuariam perseguindo ele.”

A execução

Pedro Henrique foi morto com oito tiros dentro de sua própria casa, no bairro Nova Esperança, conhecido também como Matadouro. Três homens mascarados chegaram até ele após invadirem a residência de seu pai, um senhor de 68 anos que foi obrigado a dizer onde o filho morava. Sob ameaça, os atiradores ainda obrigaram um vizinho a dizer onde o ativista estava. O trio, então, arrombou a porta da residência às 4h e à queima roupa efetuou os disparos. Pedro morreu na hora. Os assassinos fugiram num veículo Siena prata.

Pedro lutava contra todo tipo de violência, feminicídio, trabalho escravo e, principalmente, a violência policial desde 2012, quando foi vítima de agressão em uma abordagem. A partir de então, passou a receber e encaminhar denúncias de outros crimes cometidos pela polícia. Esta passou a ser sua missão maior, até o seu último dia.

“Enquanto eu estiver vivo estarei me defendendo e falando pelos que não tem voz”, dizia.

Daquele dia em diante, o jovem passou a organizar em Tucano a Caminhada da Paz, passeata que tinha como objetivo principal não deixar que as ilegalidades cometidas pelo braço armado do Estado fossem varridas para baixo do tapete. Foram realizas seis edições da manifestação, uma por ano.

Deixe seu comentário: