O serviço de “ e higienização” da Prefeitura de , conhecido como rapa, levou neste sábado (6) roupas, mantas, colchões entre outros pertences, de três moradores de rua que cuidam da praça Chão de Giz, no centro da cidade.

 

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A ação ocorreu na manhã seguinte à madrugada mais fria do ano na capital (a temperatura mínima chegou a 7,4°C). No mesmo dia, um homem foi encontrado morto de frio na região de Itaquera, zona leste paulistana. Foi o terceiro óbito de uma pessoa nessas condições a ser registrado em 24h no município.

Para Alexandre Pinto Martinez, de 43 anos, um dos moradores a ter os seus objetos pessoais subtraídos pelos agentes municipais, a preocupação agora são as noites geladas que se aproximam. ”Fiquei só com a roupa do corpo”, afirma. “Eles levaram até um carrinho de mercado que foi recebido como doação, que a gente usa para carregar água para molhar as plantas”, diz.

“Esperaram os dias mais frios, em pleno sábado, para vir aqui e dizer que tinha um monte de madeira na praça. Chegaram arrastando barraca mochila, ferramentas. Pisaram nos quadros e nas molduras”.

Também morador da praça, João Roberto Silva Temporini, 28 anos, discorda da forma como os funcionários da prefeitura agiram:

“Vejo como saqueadores. Levaram só o que interessava para eles. Os cacarecos, eles não quiseram levar”.

“Eu tive que abraçar a televisão, porque queriam levar, assim como o fone de ouvido do Alexandre. Quiseram tomar o balde com pincéis e tinta, tudo novo. Nós ganhamos esse material, foi um voto de confiança das pessoas. A gente pode produzir aqui”, explica.