Juíza diz que capitã do Sea Watch agiu para salvar vidas e manda soltá-la. Magistrada italiana concluiu que Carola Rackete não desrespeitou qualquer lei ao furar bloqueio e desembarcar imigrantes africanos resgatados por navio holandês.

A alemã Carola Rackete, capitã do navio “Sea Watch 3”, foi libertada na noite desta terça-feira (2), após passar vários dias detida por ter atracado à força no porto de Lampedusa, na madrugada do último sábado (29). Correndo risco de morte, a jovem de 31 anos está abrigada em um local secreto e sob forte esquema de segurança.

A entidade humanitária Sea Watch confirmou nesta quarta-feira (3) que a ativista está escondida devido ao grande número de ameaças recebidas por fascistas na Itália. Por razões de segurança, o porta-voz da organização, Ruben Neugebauer, não indicou quando a jovem deixará o país. O ministro do Interior da Itália, , da extrema direita italiana e anti-imigração, defendeu publicamente a prisão de Carola Rackete, chamando-a de “pirata” e “criminosa”. Agora ele exige que a capitã seja imediatamente expulsa do país, alegando que a ativista é “perigosa para a segurança nacional”.

Na terça-feira, a juíza Alessandra Vella, do tribunal de Agrigento, decidiu pela libertação da jovem, argumentando que Carola Rackete realizava uma operação de salvamento no mar. Para a magistrada, a ativista não violou nenhuma lei, mas apenas cumpriu seu dever de proteção da vida humana.

Carola Rackete, capitã do navio Sea Watch 3 / Foto: Guglielmo Mangiapane

Em um comunicado, a capitã comemorou a decisão. Segundo ela, a decisão da juíza é “uma grande vitória da solidariedade para com os migrantes e contra a criminalização daqueles que querem ajudá-los”.

Rackete foi presa no sábado, 29, após desobedecer as ordens das autoridades italianas e atracar no porto de Lampedusa para desembarcar 41 imigrantes africanos que haviam sido resgatados pelo navio de bandeira holandesa Sea Watch. O veredicto da juíza Alessandra Vella de que Carola estava cumprindo sua obrigação e não cometeu nenhum ato de violência representa um duro revés para a extrema direita italiana que é anti-imigração.

O Sea Watch furou o bloqueio da Guarda Costeira italiana, ignorando solenemente a ordem de Salvini, que proibiu o barco de atracar na Itália – um decreto aprovado em junho prevê multa de até € 50 mil (mais de R$ 200 mil) para quem desembarcar imigrantes no país.

No dia 12, o navio resgatou 53 pessoas que estavam à deriva em um bote de borracha na costa da Líbia – 11 eram crianças, mulheres ou doentes, considerados “vulneráveis” e foram retirados do barco pela Guarda Costeira italiana. Os outros 42 permaneceram a bordo, mas cada vez mais debilitados.

Na noite de sexta-feira, dois passageiros doentes tiveram que ser retirados às pressas, e os demais passageiros ameaçavam se jogar na água se não houvesse uma solução, após 17 dias aguardado autorização para desembarcar.

“A comandante Carola não tinha outra opção”, disse Giorgia Linardi, porta-voz da Sea Watch Itália, ao jornal La Repubblica, acrescentando que “durante 36 horas tinha declarado estado de necessidade, que as autoridades italianas haviam ignorado”. “Foi uma decisão desesperada”, disseram Leonardo Marino e Alessandro Gamberini, os advogados da Sea Watch, que tem sua sede na Alemanha.

Carola Rackete não é a primeira comandante do Sea Watche 3 a ter problemas com a Justiça italiana, desde o começo do ano. Sua colega Pia Klemp, bióloga e ativista pelos , aguarda sentença pelo mesmo motivo: violar as leis de Salvini contra os que trabalham no resgate de no Mediterrâneo.

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