A ativista alemã Carola Rackete, de 31 anos, que comandava o navio humanitário Sea Watch 3, dedicada a salvar no Mediterrâneo, foi presa por volta de 1h30 deste sábado, após atracar no porto da ilha de Lampedusa, na Itália. A ordem de prisão partiu do ministro de Interior da Itália, o neo-fascista , que solicitou publicamente a detenção de Rackette e de toda a tripulação da embarcação.

Carola Rackete, a capitã do Sea Watch, chega à delegacia de polícia de Lampedusa. Foto: Guglielmo Mangiapane

O Sea Watch estava há duas semanas bloqueados em águas internacionais. Ele resgatou em 12 de junho um grupo de 53 migrantes que se encontravam à deriva em um bote inflável, na costa da .

Onze pessoas que corriam risco de morte foram salvas pela ação, mas Salvini proibiu a entrada do navio, de bandeira holandesa, em águas territoriais do país. Na quarta-feira (26), Rackete decidiu que não haveria outro remédio a não ser violar a proibição e salvar os migrantes restantes.

Segundo a imprensa italiana, a militante é acusada de “resitência a um navio militar” e pode ser condenada a até dez anos de prisão. Os imigrantes foram levados para um centro de refugiados em Lampedusa.

Salvini informou pelo Twitter que todos os migrantes serão enviados a outros países europeus que aceitaram recebê-los.

“A segurança das pessoas é mais importante que as fronteiras nacionais”

Inicialmente, a polícia marítima italiana havia ordenado que o navio permanecesse a uma milha náutica do porto. Na sexta-feira (28), Rackete manteve contato permanente de vídeo com jornalistas em Roma, quando denunciou uma situação “incrivelmente tensa” a bordo do Sea Watch. Ela contou que a maioria das pessoas resgatadas são vítimas de traumas, que sofreram abusos e violências e que estão muito angustiados por seu destino.

Um migrante de 19 anos com fortes dores e seu irmão pequeno tiveram que ser retirados da embarcação na quinta-feira (27), por motivos médicos. Os outros resgatados dormiam no convés do navio, sobre salva-vidas infláveis e sob barracas improvisadas para se proteger da onda de calor que atinge toda Europa.

Portos italianos fechados há um ano

Há um ano, Salvini ordenou o bloqueio dos portos para conter o fluxo de imigrantes em situação irregular na costa da Itália. A Procuradoria de Agrigento, na Sicília, abriu uma investigação contra a capitã por “tráfico ilegal de seres humanos” e a notificação foi entregue pessoalmente na sexta-feira por agentes da Guarda de Finanças, que na véspera haviam revistado toda a embarcação.

“Violamos a lei porque a Líbia não é um porto seguro para desembarcá-los, porque lá estão em guerra. Estou segura de que a justiça italiana reconhecerá que a segurança das pessoas é mais importante que as fronteiras nacionais”, explicou Rackete.

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