Manifestantes sudaneses utilizam pneus em chamas para erguer barricadas durante um na cidade de Cartum, capital do , onde exigem que o Conselho de Transição Militar do país entregue o poder a civis.

Manifestantes sudaneses e testemunhas denunciam que as for­ças de segurança mataram pelo menos 30 pessoas e feriram centenas ao invadir um acampamento de protesto. O Comitê Central dos Médicos Sudaneses descreveu os acontecimentos desta segunda-feira (03.06) em Cartum como um “massacre”. O movimento de protesto formado após a queda do Presidente Omar al-Bashir contesta a liderança da transição política pelos militares.

Testemunhas e ativistas denunciam que as forças de segurança sudanesas “varreram” o acampamento dos manifestantes que estão há dois meses em frente ao Conselho Militar de Transição (TMC), responsável pela transição, para exigir uma maior participação da sociedade civil no processo. As ruas da capital estavam em chamas.

“Os manifestantes que realizaram um acampamento em frente ao comando geral do enfrentaram um massacre, uma tentativa traiçoeira de desmobilizar o protesto”, acusou o comitê de médicos, em comunicado.

O avanço dos militares sobre os civis gerou confrontos e os soldados dispararam com armas de fogo contra pessoas desarmadas. A covardia para desmobilizar não funcionou. Ao contrário, a ação aumentou ainda mais a revolta e fez com que os protestos se alastrassem a outras zonas da capital sudanesa.

Khalid Omar Yousef, líder de um dos movimentos de oposição, convoca a população à desobediência civil:

“Vamos enfrentar [esta violência] com mais protestos, marchas e total desobediência civil”, líder das Forças da Declaração de Liberdade e Mudança.

Militares incendiaram tendas e expulsaram os manifestantes, afirmam testemunhas. Em resposta, a população montou barricadas para travar as Forças Armadas. Um manifestante, ouvido por uma agência de notícias, acusou as forças de segurança de traição “da polícia às Forças Armadas”.

Militares em uma barricada erguida pelos manifestantes / Foto: A. Shazly

Os militares sudaneses destituíram o Presidente Omar al-Bashir há quase dois meses, após uma onda de protestos populares no país. Mas os manifestantes continuam nas ruas e exigem à junta militar que ficou no poder que dê lugar a um governo de transição formado por civis e com um envolvimento “limitado” de militares.

Mas os generais no poder rejeitam a proposta.

Depois da invasão das forças de segurança nesta segunda-feira (3), os manifestantes voltaram a pedir “liberdade, paz, justiça e poder aos civis” nas ruas de Cartum. Os movimentos opositores foram para as redes sociais à “desobediência civil” em todo o país. Anunciaram ainda que suspenderiam as conversações com a junta militar.

Manifestantes montam barricadas com pneus e pedras / Foto: A. Shazly

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