Uma grávida de 17 anos, que entrou em trabalho de parto durante uma operação da PM no , na zona norte do Rio, teve o bebê antes da hora porque se assustou com a explosão de uma granada. O nascimento estava previsto para duas semanas depois, no dia 14 de maio. Ela sentiu a bolsa se romper às 7h desta terça-feira (30) e só conseguiu sair de casa quatro horas depois, devido ao intenso tiroteio:

“Ela levou um susto muito grande. Todos nós levamos. A bolsa rompeu na mesma hora. Ainda pedi socorro aos policiais que estavam próximos da minha casa, para nos ajudar a sair com ela. Expliquei que minha filha estava em trabalho de parto, mas eles disseram que ninguém entrava nem saía e me responderam com um palavrão” denuncia a mãe da adolescente, que só conseguiu dar a luz às 21 h.

Imagens mostram tiros e granadas no Complexo do Alemão Foto: Reprodução

A operação contou com a participação da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), da Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP), do Centro de Operações Especiais (COE) e do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) trouxe à tona dezenas de relatos nas redes sociais, que dão conta de arrombamentos, invasões e roubos realizados pelos agentes do Estado.

Uma moradora contou ao jornal Voz Das Comunidades que estava em casa tentando proteger seus filhos de 4 e 5 anos dos tiros, quando foi surpreendida por policiais batendo em sua porta.

“Por volta de 7 e pouca da manhã meu marido saiu para trabalhar, tranquei a porta e fui para o quarto com meus filhos. Pouco tempo depois ouvi gente batendo e gritei perguntando quem era, achei até que fosse ele voltando por causa do tiroteio, mas ninguém respondeu. Quando fui até a porta, vi várias armas e tive certeza que não era ele. Abri a porta tranquilamente e vários homens fardados começaram a entrar na minha casa, um deles gritou mandando eu voltar para o quarto e me trancar lá. Fiquei muito nervosa quando abriram as janelas e começaram a atirar de dentro da minha casa para fora” disse.

“Quando eles subiram para a laje foi o inferno total, era muito tiro! Eu ouvia os passos deles correndo e nessa hora meus filhos já estavam chorando muito. Pedi para ir embora, queria levar as crianças para a casa do meu pai, mas não deixaram e mandaram eu ficar. Minha casa estava toda aberta e nem a porta da sala deixaram eu fechar.”

A dona de casa também contou que escondeu seu celular e que em certo momento conseguiu pedir ajuda. “Eu não tinha condições nenhuma de ficar ali sozinha, tomei coragem e entrei em contato com uma conhecida. Ela ficou me ligando e eu escondendo o celular com medo dos policiais pegarem. Enquanto as crianças choravam um deles disse que sou uma péssima mãe e que nem era capaz de acalmar meus filhos”.

“Meu pai chegou para ficar com a gente e nessa hora começaram a tacar bomba. Meu pai perguntou sobre mandato e essas coisas que a gente sabe que existe, mas mandaram calar a boca e ameaçaram levar ele para a delegacia enquanto reviravam meus armários e pegavam coisas da minha geladeira. Tinha um monte de armas jogadas no meu sofá. Foi horrível e tenho certeza que meus filhos nunca vão esquecer disso”.

Outra moradora conta que militares invadiram a casa da sua cunhada durante a operação e furtaram uma mochila com documentos e computador nas primeiras horas da manhã. A família estava dormindo no momento em que policiais invadiram a residência para usar a laje da casa como base.

As escolas do Complexo do Alemão e ao redor tiveram as aulas suspensas e mais um dia alunos tiveram que retornar para suas casas. Às 6:57 da manhã a escola Caic Theophilo, que fica no Largo do Terço, na Nova , informou através do seu Twitter que o dia letivo estava suspenso.

No total, a guerra à que apavorou milhares de famílias, resultou na apreensão de seis fuzis, uma metralhadora granadas, e munições, além de um registro fotográfico a pedido do governador (PSC), que comemorou orgulhoso a ação.

Wilson Witzel posa empunhando uma metralhadora no Palácio Guanabara Foto: Reprodução

Moradora do Alemão, a militante do movimento negro Zilda Chaves ironizou a fotografia: “NOTÍCIA SERIA ELE TER POSTADO FOTOS COM OS 117 FUZIS APREENDIDOS EM CEP CHIQUE DO RJ DE ZAMIGOS DOS POLÍTICOS…” postou em uma rede social, fazendo referência ao arsenal ilegal encontrado na posse do PM Ronnie Lessa.  Acusado de ser o executor do assassinato da vereadora Marielle Franco, Lessa morava em uma mansão no condomínio de luxo Vivendas da Barra  onde era vizinho do presidente (PSL), aliado de Witzel.