Uma manifestação foi convocada nas redes sociais para este domingo (17), às 13h, na Barra da Tijuca, zona oeste do , em frente à unidade do supermercado Extra em que um jovem negro foi assassinado por um segurança do estabelecimento com um “mata-leão”. Pedro Henrique Gonzaga, de 19 anos, foi estrangulado até a morte pelo vigilante Davi Ricardo Ribeiro, após abordá-lo na manhã da última quinta-feira (14).

O Extra da Barra da Tijuca fica na Avenida das Américas, 1510.

Segundo a nota de chamamento do ato é preciso que a rede de supermercado faça mais do que apenas abrir uma investigação sobre o ocorrido. “Exigimos que esse homem seja demitido. […] Que essa família receba uma indenização”, exaltam os organizadores. “A carne mais barata do mercado não pode ser a carne negra, ter nossos corpos negros como principais alvos de suas reproduções fascistas e genocidas não é mais uma opção.”

Após o crime, o Extra declarou que Pedro teria tentado roubar a arma de Davi, versão que foi desmentida pelas imagens do circuito de câmera divulgadas pela imprensa hoje (16). A gravação mostra o jovem correndo em direção ao vigilante. Eles parecem conversar por alguns instantes e uma mulher se aproxima. Em seguida, Pedro Henrique cai no chão. Um funcionário do estabelecimento e o segurança levantam o rapaz, mas a confusão continua e ele cai uma segunda vez.

Em outro vídeo compartilhado em redes sociais é possível ver o jovem sendo imobilizado. Pessoas no entorno tentam convencer o segurança a liberá-lo. Um cliente chega a tocar no segurança que responde: “Não segura, senhor, quem sabe sou eu” e diversos outros alertam que o rapaz esta sufocando. “Cala a boca, porra!” responde Davi.

Com parada cardiorrespiratória, Pedro chegou a ser socorrido pelos bombeiros, mas não resistiu. A mãe do rapaz presenciou a cena. O registro foi de homicídio “culposo”, quando não há a intenção de matar. O agressor foi liberado sob fiança (de R$ 10.000,00) e responde em liberdade. A vítima deixa um filho pequeno.

“Ele era uma pessoa alegre, que sempre cuidava e queria ver o filho dele. Era um pai presente. Quando for contar o que aconteceu para nosso filho com certeza falarei que foi uma injustiça”, afirmou a estudante Linda Julia Cardoso, 18 anos, mãe do filho de Pedro Henrique. “Meu filho vai crescer sem pai por conta de uma morte injusta”

O escritor e ativista do movimento negro Henrique Oliveira comentou o caso:

“Ninguém viu o jovem tentando roubar a arma do segurança no Extra, mas muita gente acreditou na versão dada pelo segurança, o delegado já foi logo chancelando que foi excesso na legítima defesa, sem mesmo ouvir todas as testemunhas e analisar imagens do sistema de câmera. Pois para legitimar o assassinato de pessoas negras, basta qualquer argumento estapafúrdio sobre violência e criminalidade, que a aceitação social não falha. Não a toa os policiais vivem dizendo que tudo é troca de tiro e legítima defesa, porque sabem que o que é avaliado não são as circunstâncias concreta dos fatos, mas sim a condição de quem morreu” afirma. 

O assassinato não foi o primeiro episódio de envolvendo funcionários e seguranças terceirizados da rede Extra a ganhar repercussão nacional. Em 2017, o mercado foi multado por constranger uma criança negra a comprovar suas compras. O caso aconteceu em 2011, em uma filial na Marginal Tietê, em . Empregados conduziram um garoto de 10 anos para uma sala, onde a criança sofreu agressões verbais e físicas, muitas delas com teor racista. O menino foi acusado de furto e constrangido a prestar esclarecimento, apesar de trazer consigo a nota fiscal dos produtos que carregava.

Em novembro de 2017, funcionários de uma unidade da rede em Frei Caneca, também São Paulo, geraram ao usarem perucas de cabelo crespo como forma de divulgar uma promoção, ação ofensiva por caricaturar pessoas negras.

Além do ato no Rio, outros protestos estão convocados para a mesma data na porta de filiais da empresa em São Paulo (14h, na Brigadeiro Luis Antonio, 2013), Belo Horizonte (13h, na Avenida Franciso Sales, 898), Fortaleza (14h, Avenida Aguanambi, 1393), Campo Grande (Avenida Afonso Pena, às 14 h) e Recife (ao meio dia, Rua Benfica).

Imagem: reprodução

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