Ataques de pistoleiros a indígenas foram registrados ontem e anteontem no Mato Grosso do Sul e no Paraguai.

Na manhã deste domingo (28), diversos Kaiowa ficaram feridos ao serem atingidos por tiros e bala de borracha, em uma ofensiva contra uma retomada próxima à aldeia Bororó, em Dourados, a 233 km de Campo Grande. É o segundo atentado desse tipo sofrido pela comunidade em 20 dias.

“Eles trouxeram até um trator para derrubar os barracos. Aqui tinha crianças dormindo que quase morreram atropeladas ou baleadas. Pegaram a gente de surpresa. Uns dez índios receberam balas de borracha e outros dois foram baleados com tiros de verdade nas pernas”, denunciou uma das lideranças.

Os Kaiowa reivindicam a demarcação do território, que fazia parte dos 3,5 mil hectares de terra da Reserva de Dourados, mas atualmente encontra-se invadido por uma série de propriedades rurais.

Kaiowa mostra ferimento na perna, provocado por tiro disparado por pistoleiro (Foto: Direto das Ruas)

“Era muito homem. Derrubaram tudinho os barracos, levaram panelas, essas coisas. O que tinha de alimento eles cortaram e derramaram tudo no chão, o povo estava  fazendo chicha e eles derramaram tudo”, contou uma jovem.

A indígena diz que aproximadamente 15 pessoas ficaram feridas, inclusive uma criança de 9 anos. “Eles já chegaram dando tiro na gente e não tinha pra onde correr. Era tiro com bala de verdade e bala de borracha pra todo lado.”, recorda.

No dia seguinte (29), uma situação semelhante foi vivida pela comunidade Ava Guarani de Tacuara’i, em Corpus Christi, Paraguai, na fronteira com o município sul-mato-grossense de Sete Quedas.

Mulheres, crianças e idosos tiveram que fugir para o mato para não serem alvejados por uma milícia de cerca de 40 pistoleiros. Um vídeo de uma anciã relatando a violência foi veiculado nas redes sociais por páginas ligadas a questão indígena:

Os Guarani denunciam como mandante do crime o empresário brasileiro Fábio Sequeira. Sequeira também é acusado por eles de estar por trás da execução do estudante indígena Isidoro Bairios, desaparecido desde o último dia 16 de setembro.

Para a comunidade, os pistoleiros brasileiros contam com a cumplicidade do Estado paraguaio. Um dia antes do último ataque Emigdio López, um dos líderes de Tacuara’i foi preso pela polícia do país. Os motivos da prisão ainda não foram esclarecidos. A suspeita é de que se trate de uma tentativa de intimidação aos Guarani para que abandonem o território. Tacuara’i  ocupa aproximadamente 1.500 hectares, onde vivem cerca de 170 famílias.

“Estas são nossas terras ancestrais, mas ainda assim somos tratados como estrangeiros em nossa própria terra!” se revolta Derlis López, irmão de Emigdio.