Milhares em marcha por Marielle e Anderson no Centro do

Milhares de pessoas estiveram presentes durante toda a quinta-feira (15) no Centro do Rio para o velório e marcha em homenagem à Marielle Franco, de 38 anos, Defensora dos , assassinada na quarta-feira (14) à noite, e Anderson Pedro Gomes, de 39 anos, motorista da vereadora também assassinado. Manifestantes foram às ruas em diversas cidades do país em protestos pedindo justiça. O corpo de Marielle chegou por volta das 17h30 ao Cemitério São Francisco Xavier, no Caju, zona portuária. O corpo do motorista Anderson Gomes foi enterrado no Cemitério de Inhaúma, na zona norte. Os cortejos aconteceram no mesmo horário.

O ato se concentrou na ALERJ e caminhou até a Cinelândia com palavras de ordem contra a PM, contra o do judiciário e contra a intervenção militar. A polícia militar não acompanhou a marcha para não ser hostilizada. Os principais suspeitos da execução de Marielle e Anderson são policiais do 41° batalhão da PM. Recém-nomeada para fazer parte da comissão que fiscalizará a intervenção militar nas favelas fluminenses, no domingo, dia 11, Marielle denunciou policiais do 41° batalhão da PM carioca por violações e execuções cometidas em Acari. Marielle denunciava o da população preta e de pelo Estado. A população revoltada foi às ruas exigir o fim das mortes, da Policia Militar e da intervenção.

O assassinato político ocorreu na rua João Paulo I, região central do Rio, por volta das 21h30 do dia 14. A assessora de Marielle foi atingida por estilhaços e levada para o Hospital Souza Aguiar e liberada em seguida. Ela é a única testemunha e já deu detalhes de como ocorreu o crime.

A polícia encontrou mais de nove cápsulas de bala no local. A vereadora foi alvejada por quatro tiros. Todos na cabeça. O veículo em que estava ficou com várias marcas na lateral. O carro, um Chevrolet Agile branco, tem vidros escurecidos, portanto, os assassinos já sabiam o lugar exato que ela ocupava dentro do carro: no banco traseiro à direita. A perícia identificou que os disparos foram feitos de trás para frente do veículo e entraram pela janela lateral traseira. Nada foi levado. Marielle havia participado no início da noite de um evento chamado “Jovens Negras Movendo as Estruturas”, na Rua dos Inválidos, na Lapa.

O momento exige cada vez mais organização popular para lidar com a atual situação e com o que está por vir. A repressão e ataque do Estado por meio de seu braço armado sempre esteve presente no país e, principalmente, no Rio de Janeiro, que recebe a intervenção militar, mas o “cerco” aperta e precisamos avançar. O Rio é o laboratório. É importante, além de demonstrar a revolta e resistir nas ruas, fomentar a organização popular nos bairros e locais de trabalho. Um povo organizado para a luta revolucionária não será dominado.

Fotografia: Rafael Daguerre

O 41° batalhão da PM é o que mais mata no estado do Rio, que tem uma das policias que mais mata no mundo. Com isso, podemos imaginar o que representa esse batalhão. Em sua página de rede social, Marielle chamou o 41° BPM de “Batalhão da morte”, no sábado (10). “O que está acontecendo agora em Acari é um absurdo! E acontece desde sempre! O 41° batalhão da PM é conhecido como Batalhão da morte. CHEGA de esculachar a população! CHEGA de matarem nossos jovens”, escreveu.

No domingo, dia 11, Marielle continuou a denunciar a ação de PMs do 41º BPM (Irajá) na favela de Acari. Segundo ela, moradores reclamaram da truculência dos policiais durante uma abordagem na região. Ela compartilhou uma publicação em que comenta que rapazes foram executados e jogados em um valão. De acordo com as denúncias, no último sábado, os PMs invadiram casas, fotografaram suas identidades e aterrorizaram populares no entorno.

“Precisamos gritar para que todos saibam o está acontecendo em Acari nesse momento. O 41° Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro está aterrorizando e violentando os moradores. Nessa semana, dois jovens foram mortos e jogados em um valão. Hoje, a polícia andou pelas ruas ameaçando os moradores. Acontece desde sempre e com a intervenção ficou ainda pior”, escreveu Marielle.

Uma dia antes de ser assassinada, Marielle denunciou a violência na cidade, no Twitter. No post, ela questionou a ação da Polícia Militar. “Mais um homicídio de um jovem que pode estar entrando para a conta da PM. Matheus Melo estava saindo da igreja. Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?” […]