Defensora dos é assassinada no

Marielle Franco, de 38 anos, mulher preta e ativista dos Direitos Humanos e inimiga declarada das UPP’s (Unidade de Polícia Pacificadora) desde os tempos de universitária, foi executada a tiros dentro de um carro no bairro do Estácio, no Rio de Janeiro. Marielle era vereadora do PSOL e única mulher negra que exercia essa função. Ela deixa uma filha de 19 anos.

O assassinato político ocorreu na rua João Paulo I, Região Central do Rio, por volta das 21h30 desta quarta-feira (14). Além da vereadora, o motorista do veículo, Anderson Pedro Gomes, também foi assassinado. Uma outra passageira, assessora de Marielle, foi atingida por estilhaços e levada para o Hospital Souza Aguiar e liberada em seguida.

A polícia encontrou mais de nove cápsulas de bala no local. A vereadora teria sido alvejada por pelo menos cinco tiros. Todos na cabeça. O veículo em que estava ficou com várias marcas na lateral. O carro, um Chevrolet Agile branco, tem vidros escurecidos, portanto, os assassinos já sabiam o lugar exato que ela ocupava dentro do carro: no banco traseiro à direita. A perícia identificou que os disparos foram feitos de trás para frente do veículo e entraram pela janela lateral traseira. Nada foi levado.

Marielle havia participado no início da noite de um evento chamado “Jovens Negras Movendo as Estruturas”, na Rua dos Inválidos, na Lapa.

Recém-nomeada para fazer parte da comissão que fiscalizará a intervenção militar nas favelas fluminenses, no último domingo Marielle havia denunciado policiais do 41° batalhão da PM carioca por abusos cometidos em Acari.

O batalhão é o que mais mata no estado do Rio, que tem uma das policias que mais mata no mundo. Com isso, podemos imaginar o que representa esse batalhão. Em sua página de rede social, Marielle chamou o 41° BPM de “Batalhão da morte”, no sábado (10). “O que está acontecendo agora em Acari é um absurdo! E acontece desde sempre! O 41° batalhão da PM é conhecido como Batalhão da morte. CHEGA de esculachar a população! CHEGA de matarem nossos jovens”, escreveu.

No domingo, Marielle continuou a denunciar a ação de PMs do 41º BPM (Irajá) na de Acari. Segundo ela, moradores reclamaram da truculência dos policiais durante uma abordagem na região. Ela compartilhou uma publicação em que comenta que rapazes foram jogados em um valão. De acordo com as denúncias, no último sábado, os PMs invadiram casas, fotografaram suas identidades e aterrorizaram populares no entorno.

“Precisamos gritar para que todos saibam o está acontecendo em Acari nesse momento. O 41° Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro está aterrorizando e violentando os moradores. Nessa semana, dois jovens foram mortos e jogados em um valão. Hoje, a polícia andou pelas ruas ameaçando os moradores. Acontece desde sempre e com a intervenção ficou ainda pior”, escreveu Marielle.

Uma dia antes de ser assassinada, Marielle denunciou a violência na cidade, no Twitter. No post, ela questionou a ação da Polícia Militar. “Mais um homicídio de um jovem que pode estar entrando para a conta da PM. Matheus Melo estava saindo da igreja. Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?”

Socióloga formada pela PUC-Rio e mestra em Administração Pública pela Universidade Federal Fluminense (UFF), teve dissertação de mestrado com o tema “UPP: a redução da favela a três letras”. Trabalhou em organizações da sociedade civil como o Centro de Ações Solidárias da (Ceasm) e coordenou a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Marielle em evento na Lapa antes de ser assassinada (Foto: Reprodução/Facebook)