Pela segunda noite consecutiva, dezenas de manifestantes entraram em confronto com a polícia, bloquearam estradas e incendiaram pneus na cidade costeira tunisiana de Ben Guerdane, exigindo maior rapidez nas buscas após o naufrágio de uma embarcação de migrantes em 21 de agosto.
Pelo menos 12 pessoas foram encontradas mortas, enquanto outras duas continuam desaparecidas e as operações de busca prosseguem. A embarcação transportava 15 migrantes — a maioria jovens da própria cidade. Uma pessoa sobreviveu.
A embarcação afundou a cerca de 14 milhas náuticas da costa de Zarzis na noite de sexta-feira (21), informou a AFP. Segundo a AP, o barco partiu na manhã de quinta-feira (20) de uma área entre as cidades de Zarzis e Ben Guerdane. Acredita-se que os passageiros tinham como destino a ilha italiana de Lampedusa, situada a cerca de 145 quilômetros da Tunísia.

O deputado Imad Oulad Jibril descreveu o episódio, no domingo (23), como “a tragédia de uma nação que vê sua juventude fugir das dificuldades da terra apenas para ser engolida pelo mar”.
O partido de oposição Bloco Democrático associou o naufrágio às dificuldades econômicas da Tunísia, afirmando: “Quando atravessar o mar se torna mais fácil do que viver na Tunísia, devemos perguntar: de quem é a culpa?”
A Tunísia presenciou tragédias semelhantes nos últimos anos, incluindo o desastre de Kerkennah, no qual mais de 100 pessoas morreram ou desapareceram em 2018 após o naufrágio de um barco de migrantes. O que levou à demissão do então Ministro do Interior.
Em Zarzis, em 2022, pelo menos 18 pessoas morreram após o naufrágio de outro barco de migrantes, desencadeando semanas de protestos. A costa sudeste da Tunísia fica a apenas 145 km da ilha italiana de Lampedusa.
A região central do Mediterrâneo é considerada a rota migratória mais letal do mundo, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), que aponta que pelo menos 821 migrantes morreram ou desapareceram nessa rota este ano — mais do que o dobro do número registrado no mesmo período do ano passado. Em todo o Mediterrâneo, pelo menos 1.065 pessoas morreram ou desapareceram, de acordo com a organização.
As buscas
Apenas uma pessoa sobreviveu, tendo ficado à deriva no mar por cerca de 48 horas antes de ser resgatada por uma embarcação comercial, segundo a imprensa tunisiana. Os corpos de 12 pessoas foram recuperados até domingo (23), informou a Guarda Nacional da Tunísia.
As mortes provocaram uma onda de pesar e revolta, desencadeando protestos violentos em Ben Guerdane na noite de domingo. Segundo a Guarda Nacional da Tunísia, cerca de 14 pessoas que estavam no barco eram de Ben Guerdane, e uma era de Zarzis.
Voluntários na Tunísia deram continuidade às buscas por duas pessoas que continuam desaparecidas. Imagens verificadas pela Al Jazeera mostravam voluntários da cidade de Zarzis saindo para o mar em barcos de pesca, na segunda-feira, em busca dos desaparecidos.
A Guarda Nacional da Tunísia recuperou doze corpos durante o fim de semana, após o naufrágio de um barco ao largo de Zarzis, na costa sudeste do país. As operações de busca por outras duas pessoas desaparecidas continuavam no domingo, informou a Guarda Nacional em comunicado.
Em entrevista por telefone à emissora Al Wataniya ontem (23 de agosto), Houssem Eddine Jebabli, porta-voz da Guarda Nacional, afirmou que as buscas envolveram unidades da Guarda Nacional e da Marinha, a Defesa Civil e dois helicópteros.


—
Fontes:
– Search continues in Tunisia as migrant boat sinking sparks protests
– Tunisia on fire as tyre-burning riot erupts over migrant boat tragedy– 12 bodies found
– Tunisia: Deaths of 12 in migrant boat sinking spark protests
– Protests erupt in Tunisia after migrant boat sinks
