O Levante do Gueto de Gaza

Israel não é uma democracia. A maioria das pessoas que vivem sob o domínio israelense são palestinas. Dos palestinos que vivem sob o domínio israelense, a grande maioria deles está na Cisjordânia ou em Gaza e está sujeita à “justiça” militar, e não a tribunais civis.

Durante o funeral de Labib Damid, de 19 anos, palestinos entram em confronto com o exército israelense pela morte do jovem, assassinado por Israel, 06.10.2023 — Jaafar Ashityeh/AFP

Por David Rovics.

Dado o estado completamente desonesto da ocidental quando se trata de dar algum sentido a qualquer coisa que esteja acontecendo em qualquer lugar do Oriente Médio (como o Império Britânico chamou de Ásia Ocidental há muito tempo), pensei em estabelecer alguns fatos importantes para nos ajudar a entender o que está acontecendo neste momento dentro e ao redor de poderia ser útil.

1) não é uma democracia. A maioria das pessoas que vivem sob o domínio israelense são palestinas. Dos palestinos que vivem sob o domínio israelense, a grande maioria deles está na Cisjordânia ou em e está sujeita à “justiça” militar, e não a tribunais civis. Eles não têm o direito de votar nas eleições israelenses, embora todos os aspectos das suas vidas sejam controlados por Israel – se vivem ou morrem, se as suas casas são demolidas ou não, se os seus campos são arrasados por colonos ou lhes é permitido continuar cultivando, tudo depende de Israel. Quando dizem que Israel é uma democracia, estão mentindo – descaradamente e diariamente.

2) O Hamas é a coisa mais próxima de um governo eleito que os palestinos têm. Na verdade, a última vez que realizaram eleições reais nos Territórios Ocupados da Cisjordânia e de Gaza, o Hamas venceu por uma vitória esmagadora. É por isso que não realizaram outras eleições desde então, e é por isso que o Hamas está hoje no controle de Gaza. Eles também estariam no poder na Cisjordânia, na medida em que os palestinos pudessem ter algum poder dadas as circunstâncias, mas o Fatah anulou os resultados das eleições, porque perderam. Com a assistência ativa de Israel, o Fatah tentou derrubar o Hamas em Gaza, enviando os seus lealistas armados, e esta tentativa de falhou miseravelmente.

3) Lutar fisicamente contra um ocupante, de acordo com o direito internacional que todos os países do mundo assinaram há muito tempo, é justificado e não é “terrorismo”. Seria preciso ter muita sorte para sintonizar durante um dos breves momentos em que o direito internacional poderá ser mencionado numa destas notícias ocidentais sobre este levante. O direito internacional só é aparentemente relevante quando se trata da invasão russa da ou de outros incidentes que pareça conveniente mencionar.

4) está sob uma ocupação brutal. Pareceria completamente ridículo mencionar isso, pois é bastante óbvio. Mas, de uma forma ou de outra, este não é tanto o caso nos meios de comunicação ocidentais, que tendem a dedicar uma quantidade excessiva de tempo aos políticos israelenses e aos diplomatas americanos e britânicos que adoram falar sobre como os colonatos israelenses em Gaza foram evacuados há muito tempo. A implicação aqui é que agora o povo de Gaza não tem nada do que reclamar. Basta não mencionar o cerco, a falta de capacidade para viajar ou importar qualquer coisa, e fingir que Gaza é uma espécie de “vizinhança” palestina, que é como os políticos israelenses chamam aos seus colonatos ilegais, exclusivamente judaicos, espalhados pelas terras cada vez mais estreitas dos palestinos – “vizinhança”.

5) Quando os ucranianos lutam contra o seu poder ocupante e lançam ataques em partes da Rússia, fora da Ucrânia, a sua bravura e engenhosidade são abertamente celebradas no Ocidente, e recebem enormes quantidades de ajuda militar. Quando os palestinos fazem exatamente a mesma coisa, exatamente nos mesmos tipos de circunstâncias, é o seu ocupante quem recebe a ajuda militar, e não eles – são chamados de “terroristas” por reagirem.


David Rovics é um cantor, compositor e comentarista político baseado em Portland, Oregon, EUA.

Mídia1508

A 1508 é um coletivo de jornalismo independente anticapitalista, dedicado a expor as injustiças sociais brasileiras e a noticiar as mobilizações populares no Brasil e no mundo.

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