Agricultores são atacados por seguranças da Brasil Bio Fuel em Acará, no Pará

Os trabalhadores rurais denunciaram ameaças de morte, destruição de suas casas, agressões físicas e tiros, por seguranças da BBF, empresa exploradora de óleo de palma no Pará.

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Agricultor foi levado para o hospital após ter sofrido agressões de agentes da BBF no Acará — Foto: Reprodução

rurais foram surpreendidos na madrugada de sexta-feira, 1º de outubro, por um grupo com dezenas de homens fortemente armados da empresa da Bio Fuel (BBF) em um projeto agrícola no ramal São Lourenço, que fica na localidade Vale do Bocaia, na zona rural do Acará, nordeste do Pará.

Um vídeo mostra o momento do tiroteio (abaixo).

Diversas pessoas foram feridas. Relatos denunciam o uso de spray de pimenta, bombas de efeito moral contra as vítimas e tiros. Casas e um barracão – com e crianças – foram destruídos pelos seguranças da BBF, segundo testemunhas.

Os relatos apontam ainda que os homens chegaram por volta das 5h30 em tratores e ônibus, sem qualquer mandado judicial. “Eles disseram que vinham para matar”, afirma vítima, que preferiu não ser identificada.

Um vídeo feito após a tensão mostra as motos usadas pelos totalmente destruídas, com diversas marcas de tiros e amassados. Os motores dos veículos foram retirados e levados.

No ataque, um agricultor ficou ferido, após ter sido amarrado e agredido pelos seguranças. Ele recebeu golpes na cabeça, chegou a ser internado no Hospital do Acará e depois foi transferido para o Pronto Socorro Municipal Mário Pinotti, em Belém.

Motos destruídas pelos seguranças da BBF — Foto: Reprodução

No projeto agrícola vivem cerca de 60 famílias de e faz parte de parceria com a então empresa Biopalma. A área é marcada por conflitos devido à expansão do cultivo de dendê. Desde o início da exploração, e com a intensificação a partir da década de 80, rurais, inclusive remanescentes de quilombos na região, começaram a ser tirados dos locais de origem. Com a pressão, muitos venderam as terras e outros acabaram sendo forçados a deixarem as moradias.

Os afirmam que o grupo é ligado à segurança da empresa Bio Fuels, que comprou em novembro de 2020 a Biopalma, empresa produtora de óleo de palma da mineradora Vale. Eles relatam ainda que o conflito ficou mais forte na região, após a aquisição do empreendimento, que possui uma das maiores produções de óleo de dendê da América Latina.

Informações no site da BBF apontam que a empresa atua em quatro polos de produção de palma no Pará, que ficam na região do vale do Acará e no Baixo Tocantins, atuando em cerca de 56 mil hectares de palma de óleo plantadas e 6,8 mil hectares em projetos de agricultura familiar.

Conflito em terra indígena

O Ministério Público Federal (MPF) informou na noite do dia 1° de outubro que tem apuração em andamento.

É um inquérito civil para investigar a existência de possíveis impactos ambientais sobre as terras indígenas Tembé localizadas em Tomé-Açú e eventuais ofensas aos seus direitos territoriais decorrentes da operação da empresa Bio Fuels na região.

O inquérito foi aberto em abril deste ano, após o MPF ter recebido informações da Funai de que lideranças indígenas relataram que a comunidade está em conflito com a empresa em decorrência de impactos ambientais causados pelo empreendimento, que trabalha com a monocultora de dendê, nas imediações da Terra Indígena Turé-Mariquita, do povo Tembé. Os indígenas informaram à Funai a seguinte pauta de reivindicação: a) conclusão dos acordos assinados entre a empresa e os representantes das aldeias em de 2020; b) Cessação dos trabalhos da empresa dentro das zonas de amortecimento, da própria área da comunidade e reconhecimento do direito da comunidade.

Rafael Daguerre

Fotojornalista/Videorrepórter

Um dos fundadores da Mídia1508. "Ficar de joelhos não é racional. É renunciar a ser livre. Mesmo os escravos por vocação devem ser obrigados a ser livres, quando as algemas forem quebradas" ― Carlos Marighella.

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