PMs fuzilam família e matam duas pessoas; entre elas, um jovem de 17 anos

"Não deram voz de parada, nem tiro de advertência, eles foram fuzilados", afirma Angélica, irmã de jovem sobrevivente baleada de raspão.

Foto: Reprodução/ArquivoPessoal

A interminável do Rio de Janeiro. No último sábado (25/09), Samuel Vicente, de 17 anos, e o padrasto Willian Vasconcellos da Silva, de 38 anos, foram assassinados no bairro de Anchieta, na Zona Norte do Rio. Os dois foram fuzilados por policiais militares.

Camily da Silva Appolinario, namorada de Samuel, foi ferida, mas sobreviveu – baleada de raspão. A irmã de Camily, Angélica Appolinario, informou que a jovem foi colocada na caçamba da viatura com o namorado e o sogro mortos. Uma quarta pessoa foi ferida, mas ainda não identificada. após deixarem um baile funk, na comunidade do Chapadão.

Familiares contam que Camily passou mal em uma festa e pediu ao namorado, Samuel, que a ajudasse. Ele ligou para o padrasto, William, que foi ao local de moto para levá-los até a UPA de Ricardo de Albuquerque. Os três estavam na motocicleta. No caminho foram surpreendidos por PMs que sequer deram voz de parada.

Após conversar com a irmã, Angélica afirma:

“Não deram voz de parada, nem tiro de advertência, eles foram fuzilados”.

Angélia Appolinario, irmã de Camily.

Os policiais militares são Leonardo Soares Carneiro e Edson de Almeida Santana, que entraram em contradição durante os depoimentos. Os PMs disseram que Samuel estaria com um fuzil e mirou na direção deles e por isso reagiram. Depois, disseram que o jovem estava com uma arma menor — uma pistola com 4 munições. Em nenhum momento, os policiais relatam disparos feitos por essa suposta pessoa na moto.

No fim, os policiais se contradizem e afirmam que o jovem Samuel — a pessoa que eles pensavam estar com um fuzil — estava, segundo eles próprios, com uma arma muito menor: uma pistola com 4 munições e um radiotransmissor. A versão policial está longe de ser verdade. A PM chegou a chamar as vítimas de “acusados”, com o intuito de criminalizá-las. Os PMs disseram ter encontrado com Camily, Willian e Samuel, duas pistolas, carregadores, munição, rádios comunicadores e drogas. Até o momento não há qualquer prova técnica, apenas os depoimentos dos próprios policiais, com forte indício de que eles plantaram provas.

As armas e drogas que os PMs plantaram nas vítimas; a PM até o momento continua com a versão que todo esse material foi apreendido com as vítimas / Foto: Divulgação

Samuel Vicente era estudante da escola da Polícia em São Gonçalo, Willian, o padrasto, trabalhava como entregador de farmácia.

Nos depoimentos, os agentes afirmaram – acredite – que atuaram em legítima defesa e fizeram sete disparos de fuzil 762 contra os ocupantes da moto. Ainda de acordo com os dois, uma troca de tiros aconteceu a uma distância de 15 metros de onde os policiais estavam e que, mesmo ainda sendo alvo de disparos na comunidade, eles socorreram as pessoas – que eles próprios balearam. Todo o depoimento é contraditório.

Mais um vez, não houve qualquer perícia no local.

Camily da Silva recebeu alta nesta segunda-feira (27), traumatizada, não pôde ir ao enterro do namorado.

Mídia1508

A 1508 é um coletivo de jornalismo independente anticapitalista, dedicado a expor as injustiças sociais brasileiras e a noticiar as mobilizações populares no Brasil e no mundo.

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