Exército israelense ataca palestinos na Mesquita Ibrahimi em Hebron, na Cisjordânia ocupada

Os palestinos realizaram a oração na última sexta-feira (13) em frente à mesquita para protestar contra um plano de construção israelense para ocupar todo o local.

6 mins read
Policiais israelenses atacam palestinos após as orações de sexta-feira perto da Mesquita Ibrahimi, na cidade de Hebron, na Cisjordânia ocupada — Foto: Mussa Qawasma/Reuters

13 de agosto de 2021 — O usou granadas de efeito moral para dispersar uma multidão de fiéis muçulmanos que realizavam as orações tradicionais das sextas-feiras do lado de fora da Mesquita Ibrahimi, na cidade ocupada de al-Khalil (Hebron), na Cisjordânia.

Segundo reportagem da Aljazeera, uma pessoa pode ser vista jogada no chão enquanto é agredida com chutes pelas forças israelenses.

Sheikh Hefzy Abu Sneina, diretor da mesquita, disse à Agência Anadolu que os palestinos responderam ao convite do Ministry of Endowments and Religious Affairs (Ministério de Dotações e Assuntos Religiosos) para fazer orações no templo, desafiando os planos de de prosseguir com um projeto de construção que mudaria algumas das características do local.

Na segunda-feira, o Ministério da Defesa israelense disse que iniciou um projeto nos pátios da mesquita para construir uma rota que liga diretamente o estacionamento à mesquita e instalar um elevador elétrico. Os palestinos veem a construção como uma forma de ocupar todo o local – que está dividido em áreas judias e muçulmanas separadas – para visitantes judeus.

Palestinos reagem às agressões de soldados israelenses após as orações de sexta-feira (13) perto da Mesquita Ibrahimi, em Hebron, na ocupada — Foto: Mussa Qawasma/Reuters

Na quinta-feira, o Ministério de Dotações e Assuntos Religiosos anunciou o fechamento de todas as mesquitas na cidade de Hebron e pediu aos palestinos que realizassem as orações de sexta-feira em Ibrahimi, como uma “denúncia” da israelense.

Abu Sneina disse que aceitar o convite para realizar as orações de sexta-feira “mostra a afiliação dos muçulmanos à mesquita Ibrahimi”.

Antes do fluxo de fiéis ao templo, o dificultou o acesso com mais soldados em suas entradas, espalhando grades de ferro, criando passagens estreitas no pátio, para verificação de identidades de palestinos e jornalistas.

As orações na mesquita geralmente estão sujeitas a rígidas restrições de segurança, pois os fiéis devem passar por várias barreiras e portões eletrônicos antes de chegar às escadas que conduzem ao local da oração.

O local sagrado é reverenciado por judeus e muçulmanos como o local de sepultamento de patriarcas religiosos. Os judeus reverenciam o local como a Tumba dos Patriarcas, enquanto os muçulmanos a chamam de Mesquita Ibrahimi, em homenagem ao patriarca Abraão.

Palestinos participam das orações de sexta-feira (13) perto da Mesquita Ibrahimi, em Hebron, na ocupada — Yosri al-Jamal/Reuters

Hebron é um foco frequente de conflitos entre colonos e palestinos. Mais de 200.000 palestinos vivem na cidade, junto com várias centenas de colonos israelenses ultranacionalistas que vivem no centro da cidade em enclaves fortemente fortificados, protegidos pelos militares do Estado de Israel. O país invadiu a na do de 1967 e estabeleceu dezenas de assentamentos ilegais onde residem cerca de 500.000 colonos.

Os palestinos querem a como parte de seu futuro estado e veem os assentamentos ilegais como um grande obstáculo para a resolução do conflito.

A violência dos colonos

O local foi dividido em áreas de oração para judeus e muçulmanos, logo depois que um colono abriu fogo contra fiéis muçulmanos no santuário em 1994, matando 29 pessoas e ferindo mais de 100 outras.

Para encorajar mais colonos a se mudarem para os territórios palestinos ocupados, o governo israelense oferece vários privilégios econômicos, incluindo incentivos fiscais para os colonos que escolherem viver nesses assentamentos construídos desde 1967.

Os grupos de colonos radicais, geralmente armados, que vivem nesses assentamentos realizam ataques frequentes contra os residentes palestinos, dificultando a vida na Cisjordânia.

Em declarações à Agência Anadolu em março de 2021, muitos colonos judeus do assentamento Ma’ale Adumim, um dos maiores da Cisjordânia, com uma população de cerca de 70.000 pessoas, disseram que consideram os assentamentos “parte de Israel”.

“De acordo com a Torá, Deus nos deu este país e Deus disse que tínhamos que estar aqui. Estamos aqui porque Deus nos disse para estarmos aqui”, disse Esther, uma colona judia de origem ucraniana que preferiu não mencionar seu sobrenome ou profissão. Ela se recusou a continuar a entrevista com a agência quando questionada sobre o povo palestino que vivia nesta terra antes da ocupação. “Este é o nosso país!” acrescentou enquanto se afastava.

Mídia1508

A 1508 é um coletivo de jornalismo independente anticapitalista, dedicado a expor as injustiças sociais brasileiras e a noticiar as mobilizações populares no Brasil e no mundo.

Deixe seu comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.

Últimas Notícias