‘Fora Bolsonaro’ tem protestos em todo o país, no exterior, e conflitos em São Paulo

Manifestações ocorreram em diversas cidades do Brasil. Por mais vacina, impeachment de Bolsonaro e volta do auxílio emergencial.

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Em faixa, manifestantes pedem o "sangue" do presidente Bolsonaro no Rio — Foto: Erick Rosa/1508

Milhares de pessoas foram às ruas em todo o Brasil neste sábado (3/7) em protesto contra o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e em defesa da vacinação para a Covid-19.

Foram registradas manifestações em todos os Estados e Distrito Federal, em mais de 110 cidades brasileiras e em dezenas de capitais europeias.

Assim como aconteceu em atos semelhantes em maio e junho, em todo o país, as manifestações foram majoritariamente pacíficas.

No geral, os manifestantes pediam mais vacina, o impeachment de Bolsonaro e volta do auxílio emergencial de no mínimo R$ 600,00.

A maioria dos manifestantes usava máscara.

No Rio de Janeiro, milhares de pessoas fecharam a Avenida Presidente Vargas, na região central da cidade. Com faixas e cartazes contra o governo federal, a manifestação teve início no Monumento Zumbi dos Palmares. No fim da manhã os manifestantes caminharam pela avenida, ocupando três faixas da pista. O protesto seguiu em direção à igreja da Candelária.

O ato foi convocado por movimentos sociais, centrais sindicais e partidos políticos. Além de protestarem contra o governo federal, com cartazes e faixas, os manifestantes pedem mais agilidade na vacinação contra a Covid-19, o fim das privatizações, além da volta do auxílio emergencial.

Algumas pessoas carregavam faixas com os dizeres “Fora Bolsonaro”, ”genocida” e o “terror do Estado”. Os manifestantes também defendiam a educação, a ciência e o Sistema Único de Saúde (SUS).

A manifestação estava marcada para o dia 24 de julho, mas foi antecipada por conta das denúncias de corrupção do governo federal na compra de vacina, sendo antecipado para a manhã de sábado. Setores criticam os dias escolhidos para as mobilizações contra o governo que, até o momento, são sempre aos fins de semana, quando a região central da cidade fica deserta.

Belo Horizonte

Manifestantes bloqueiam viaduto com barricadas em Belo Horizonte — Foto: Twitter/@frenteantifabh

Em Belo Horizonte, Minas Gerais, o protesto Fora Bolsonaro começou com barricadas no início da manhã deste sábado (3). A Frente Antifascista BH fechou a via do Viaduto Helena Greco, colocando fogo em pneus e entoando gritos contra o governo genocida do presidente Jair Bolsonaro.

Em São Paulo, a manifestação levou milhares de pessoas às ruas e fechou a Avenida Paulista, região central da cidade.

Além de pedir o impeachment do presidente, os manifestantes reivindicaram mais vacinas e auxílio emergencial, lembraram as mais de 523 mil vítimas da Covid-19 no país e o envolvimento do ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, na exportação ilegal de madeira.

Diante das últimas denúncias contra o governo Bolsonaro, os paulistanos levaram cartazes com dizeres como “Não era negacionismo, era corrupção #ForaBolsonaro”, “500 mil mortos, sem vacinas, corrupção, fome, desemprego” e “Amazônia em pé, abaixo Bolsonaro”.

Ao contrário da grande maioria das manifestações pelo país, em o protesto não foi pacífico, e nem deve ser.

Manifestantes destruíram e incendiaram uma agência bancária na rua da Consolação, região central da cidade. Outro grupo de pessoas quebrou vidros de uma concessionária de veículos e colocou fogo em lixos fazendo barricadas pela rua da Consolação. A fachada da Universidade Presbiteriana Mackenzie também foi atacada. Na época da Ditadura de 1964, a universidade privada era conhecida por ter alunos membros do CCC (Comando de Caça aos Comunistas) e por apoiar o regime.

Policiais militares usaram spray de pimenta e bombas de efeito moral.

Revoltados com a repressão ao ato, manifestantes enfrentaram policiais e seguranças do Metrô, que recuaram para dentro de uma estação (vídeo) a base de pedras, pedaços de pau, gradis, rojões e até bicicletas foram arremessadas. Um policial ficou ferido e oito funcionários do Metrô sofreram escoriações.

Segundo o Movimento Passe Livre, quatro manifestantes foram detidos.

Manifestações no exterior

Na Europa, a imagem mais marcante dos protestos foi registrada na França e pôde ser vista por milhares de espectadores que acompanham a legendária prova ciclística Tour de France. No trajeto dos ciclistas, um manifestante escreveu com um giz no asfalto “Fora, Bolsonaro”. A imagem foi captada por um drone que imortalizou o protesto.

Atos estavam confirmados em 35 cidades no exterior.

Governo genocida?

Tratar o governo federal como “genocida” não é exagero e nem discurso de esquerda. Até mesmo órgãos internacionais chegam a essa conclusão, como citado recentemente na ONU sobre um indígena no Brasil.

No dia 28 de junho deste ano, o Brasil foi citado pela primeira vez no Conselho de Direitos Humanos da ONU como um caso de risco de genocídio, devido aos crescentes crimes contra as populações indígenas.

“Há indícios significativos para que autoridades brasileiras, entre elas o presidente, sejam investigadas por genocídio”, afirma a jurista Deisy Ventura, especialista na relação entre pandemias e direito internacional.

Segundo a jurista, há todos os elementos necessários à tipificação de crimes contra a humanidade na resposta do Governo brasileiro à Covid-19: intenção, plano e ataque sistemático, conclui.

Corrupção na compra de vacinas

Jair Bolsonaro será investigado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por não ter denunciado um processo de corrupção na negociação de vacinas contra a Covid-19. O menor de seus crimes.

Nos dois primeiros meses, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), instalada pelo Senado, focou principalmente no atraso do governo em fechar acordos com empresas farmacêuticas para a compra de vacinas, ao mesmo tempo em que o presidente promoveu o uso de medicamentos ineficazes contra a Covid-19 – como a hidroxicloroquina.

Os senadores também elencaram as inúmeras declarações críticas de Bolsonaro contra máscaras e o distanciamento social.

Desde o depoimento do deputado federal Luis Miranda (DEM/DF) e de seu irmão Luis Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde, foco das investigações mudou. O parlamentar confirmou que Bolsonaro citou o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP/PR), numa conversa em que Miranda relatou ao presidente que seu irmão vinha sofrendo pressões para liberar um contrato de compra da vacina Covaxin que apresentava irregularidades.

Bolsonaro teria prometido encaminhar o caso à Federal, o que não fez.

A denúncia resultou, na última sexta-feira, dia 2, na abertura de uma investigação da Procuradoria-Geral da República contra o presidente, que vai apurar se Bolsonaro cometeu ou não o crime de “prevaricação”, por não denunciar a corrupção na compra da Covaxin.

Outras denúncias que a CPI investiga e que causaram polêmica na última semana vieram de um empresário que alegou ter recebido um pedido de suborno do diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, enquanto negociava com o governo a venda de vacinas. Dias foi exonerado do cargo na noite em que a reportagem foi publicada pela Folha de São Paulo.

A rápida exoneração de Roberto Dias, evidencia que ali tinha algo errado.

do Sul

Ato Fora Bolsonaro em Campo Grande, do Sul — Foto: Sérgio Souza Júnior

Alagoas

Ato Fora Bolsonaro em Maceió, Alagoas — Foto: Sandra Sena

Pernambuco

Ato Fora Bolsonaro em Recife, Pernambuco — Foto: Priscilla Aguiar

Ato Fora Bolsonaro em Brasília, Distrito Federal — Foto: Reprodução

Rafael Daguerre

Fotojornalista/Videorrepórter

Um dos fundadores da Mídia1508. "Ficar de joelhos não é racional. É renunciar a ser livre. Mesmo os escravos por vocação devem ser obrigados a ser livres, quando as algemas forem quebradas" ― Carlos Marighella.

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