Caso Pedro Henrique: 2 anos depois ocorre audiência para reconhecimento do terceiro atirador

Audiência para o reconhecimento do terceiro atirador acontece mais de um ano depois que o Ministério Público havia requisitado.

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Pedro Henrique Cruz Souza / Foto: Arquivo Pessoal

Hoje, dia 27 de março de 2021, completa dois anos e três meses da execução do ativista de Pedro Henrique Cruz Souza, de 31 anos, em Tucano, sertão baiano. Policiais Militares são acusados pelo assassinato do ativista que denunciava a violência policial na cidade.

Mãe de Pedro, a professora Ana Maria Cruz, de 53 anos, não abandona a luta por justiça. “Prestes a completar dois anos da conclusão e remessa dos autos, familiares continuam esperando que o Ministério Público se pronuncie e ofereça denúncia contra os autores deste crime bárbaro, mas até agora, a resposta do MP ainda é um incômodo e constrangedor SILÊNCIO”, denuncia a professora em uma rede social.

A mãe comemora a audiência para o reconhecimento do terceiro atirador, mais de um ano depois que o Ministério Público havia requisitado. Foi preciso a justiça determinar para que a audiência acontecesse. O nome do terceiro atirador, também policial militar, é José Carlos Dias dos Santos.

A Delegacia de de indiciou dois policiais militares pelo assassinato de Pedro Henrique: Bruno de Cerqueira Montino e Sidnei Santana Costa. Ana conta que desde o assassinato de Pedro, Tucano mudou de promotor três vezes. O indiciamento dos policiais aconteceu em 30 de abril de 2019, indiciados por homicídio qualificado, e até hoje eles não foram presos.

Ana sempre pergunta:

“Quando os assassinos de Pedro serão presos, julgados e condenados pelo crime brutal e covarde que cometeram?”, questiona incansavelmente.

Nesta sexta-feira, véspera de mais um dia 27, Ana escreveu:

“Se eu imaginasse que meu filho se acabaria assim, eu não teria ido com ele àquela delegacia para denunciar os policiais que o agrediram.”

Desabafou o pai de Pedro, ao lembrar a data 01 de novembro de 2012, dia seguinte às agressões policiais sofridas pelo seu filho, quando ele o acompanhou até a delegacia de para registrar a ocorrência de nº. 705/2012, que deu origem ao inquérito policial nº. 204/2012.

Depois da audiência na justiça, que só aconteceu em agosto de 2013, os policiais agressores deram início a uma perseguição implacável a Pedro, em contrapartida, nascia ali o ativista social, o militante Pedro Henrique que passou a lutar em defesa de outras vítimas da na cidade de Tucano, e assim cumpriu sua missão até os últimos minutos de sua vida, quando foi assassinado a tiros, dentro de sua casa, na madrugada do dia 27 de dezembro de 2018, algumas horas depois de falar comigo ao telefone, sobre os planos que traçara para proteger a vida de um adolescente que teve a casa invadida três vezes por policiais militares que o procuravam para matá-lo.

O crime

O crime aconteceu na madrugada do dia 27 de dezembro de 2018, em Tucano, cidade de 50 mil habitantes, sertão baiano. Três policiais militares foram acusados por uma testemunha de ter executado o ativista, que denunciava a violência policial na cidade. A denúncia foi feita no dia 4 de janeiro à Corregedoria Geral da Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA). A testemunha afirma que reconheceu os autores pelas características físicas e tom de voz, chegando a citar o nome de dois policiais militares da cidade.

Os policiais citados são Bruno Montino e Sidnei Santana.

Os policiais militares eram conhecidos por realizar de forma sistemática abordagens violentas à vítima e dois dias antes da execução, intimidaram Pedro Henrique em um mercado local. O terceiro policial, segundo a testemunha, apesar de não participar das abordagens, estava sempre em companhia dos outros policiais.

As abordagens e agressões da PM se estendeu inclusive para a GCM (Guarda Municipal), que o abordava com violência e ameaças. Essas abordagens foram registradas e denunciadas para a ouvidoria do município. Segundo sua mãe, na em 2018, a chamada da manifestação cujo título era “ pede paz, por favor não mate mais outro rapaz”, sobre a na cidade, despertou a ira dos policiais.

A execução

Pedro Henrique foi morto com oito tiros dentro de sua própria casa, no bairro Nova Esperança, conhecido também como Matadouro.

Três homens mascarados chegaram até ele após invadirem a residência de seu pai, um senhor de 68 anos que foi obrigado a dizer onde o filho morava.

Sob ameaça, os atiradores ainda obrigaram um vizinho a dizer onde o ativista estava. Os três, então, arrombaram a porta da residência às 4h da manhã e à queima roupa efetuaram os disparos. Pedro morreu na hora.

Os assassinos fugiram num veículo Siena prata.

Foto: Arquivo Pessoal

Mídia1508

A 1508 é um coletivo de jornalismo independente anticapitalista, dedicado a expor as injustiças sociais brasileiras e a noticiar as mobilizações populares no Brasil e no mundo.

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