Protesto pede liberdade de presos políticos no Chile

Milhares de prisões aconteceram durante a Revolta Popular Chilena, que se iniciou em outubro de 2019.

6 mins read
Faixa pede liberdade aos presos políticos no Chile / Foto: Rafael Daguerre/Mídia1508

Nesta segunda-feira (08), militantes de e sindicais se reuniram em frente ao Consulado do Chile, no bairro do Flamengo, Zona Sul do Rio, em uma manifestação pela defesa do povo chileno. O ato vem após um apelo de internacional de movimentos populares chilenos.

Os manifestantes denunciaram a violência de Estado no país e pediram a liberdade dos milhares de presos políticos.

Durante o ato foi lido um manifesto em apoio à luta no Chile.

Um detalhe a se destacar foi o empenho do Estado brasileiro para reprimir uma pequena manifestação pacífica: cinco viaturas da PM cercavam o local, mais Guardas Municipais e até dois agentes “disfarçados” (P2) faziam fotos e vídeos das pessoas que se manifestavam.

Ao fim do ato, na porta do Consulado, em uma pequena homenagem, os manifestantes leram os nomes de pessoas assassinadas pelo Estado chileno.

Durante a Revolta Popular Chilena, que se iniciou em outubro de 2019, ocorreram milhares de prisões. Uma parte das pessoas foram soltas como resultado da atuação de nas ruas, mas ainda há cerca de 2.500 manifestantes presos, entre estudantes e trabalhadores, em sua grande maioria jovens. Encarcerados porque foram às ruas para protestar contra a herança ditatorial de Augusto Pinochet, a destruição da previdência e dos serviços públicos no país.

Graças à mobilização popular, o país se envolveu em um processo constituinte de características inéditas. Existem e continuarão surgindo, como esperado, discussões que hegemonizam o debate público, tais como: quem poderá participar do processo; como os constituintes serão eleitos; a implementação da paridade, quotas reservadas aos povos indígenas, a eleição das candidaturas, a formação de coalizões e alianças, entre muitos outros tópicos.

Apesar dessa possibilidade de transformação histórica no país, que procura mudar a Constituição, é imperativo aprender com nosso passado recente. As características de resposta do Estado capitalista sempre foi e sempre será o uso da violência e as violações dos direitos humanos. Tampouco são novos os conceitos e as práticas ideológicas da guerra contra o “inimigo interno”, utilizados pela ditadura (brasileira, inclusive), resultando em uma política de de Estado, com assassinatos, desaparecimentos e torturas.

Portanto, é importante compreender que as mudanças estruturais que se almeja, jamais serão concebidas pelas instituições que mantém o poder das classes dominantes, seja no Chile, no Brasil, ou em qualquer país capitalista.

A direita chilena, herdeira do Pinochetismo, nega, banaliza ou torna invisível as violações dos direitos humanos – o que se confunde bastante com a atual situação brasileira, do governo Bolsonaro. Assim como no Brasil, no Chile, é a direita que compõe e controla as instituições de poder.

O manifesto do ato

  1. No dia 18 de outubro de 2019 o povo do se rebelou contra os abusos das políticas neoliberais instaladas desde a ditadura, consagradas na constituição até o dia de hoje.
  2. A resposta do estado foi de repressão e violação dos de forma sistemática e um processo constituinte ilegítimo que deixa fora povos originários e o povo autônomo mobilizado.
  3. Companheiros e companheiras que saíram as ruas em busca de dignidade foram assassinados, torturados, mutilados e abusados sexualmente pelas forças militares e policiais.
  4. Milhares também foram encarcerados e estão nessa condição até hoje com diversas medidas cautelares que restringem sua liberdade, processos judiciais que se distanciam da legalidade e em alguns casos com utilização de provas falsas. devido a os presos e presas estão passando meses em isolamento sem a visita de familiares.
  5. O estado tem sequestrado nossos companheiros e companheiras incluindo menores de idade.
  6. No hoje há presxs politicxs, o estado busca gerar condenações exemplares intimidadoras, utilizando inclusive montagens pra silenciar e desencorajar o legítimo social.
  7. No território brasileiro, organizações e ativistas individuais mandam força aos companheiros e companheiras presas, suas famílias que iniciaram um jejum de protesto e exigimos junto a elas uma lei de anistia sem condições agora!
  8. Liberdade imediata a todxs xs presxs políticxs da revolta! Derrogação do decreto 321 e respeito à convenção 169 da OIT para os presos políticos mapuche!

Mídia1508

A 1508 é um coletivo de jornalismo independente anticapitalista, dedicado a expor as injustiças sociais brasileiras e a noticiar as mobilizações populares no Brasil e no mundo.

Deixe seu comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.

Últimas Notícias