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Combate ao racismo: dois policiais são baleados em protesto por Breonna Taylor nos EUA

Protestos foram realizados também em outras cidades do país, como Nova York, Chicago, Washington, Atlanta e Filadélfia.

Foto: Bryan Woolston/Reuters

Ao menos dois policiais de Louisville, no estado americano de Kentucky, foram baleados durante manifestações ocorridas na noite de ontem (23), após o “grande júri” do estado decidir não acusar a polícia local pelo assassinato da enfermeira , uma mulher negra de 26 anos.

Brett Hankison, o único dos três agentes indiciados foi libertado sob fiança de 15 mil dólares e acusado de “negligência” por disparar contra um outro apartamento no prédio. Nem Hankison, nem os outros dois policiais que efetuaram os disparos que mataram Breonna, Jonathan Mattingly e Myles Cosgrove, responderão pelo homicídio.

Ben Crump, advogado da família de Taylor, fez um pronunciamento qualificando a decisão como “ultrajante e ofensiva”, sendo apoiado, logo em seguida, pelos manifestantes, que começaram a marchar pelas ruas da cidade entoando gritos de “Sem justiça, sem paz!”.

Os tiros contra os policiais foram disparados em meio a um confronto com as tropas da repressão, que tentavam impedir o avanço da multidão com balas de borracha e bombas de efeito moral, após terem realizado diversas prisões de ativistas ao longo da tarde.

Protestos foram realizados também em outras cidades do país, como Nova York, Chicago, Washington, Atlanta e Filadélfia.

“Legítima defesa”

A procuradoria do Kentucky alegou que os dois agentes que dispararam as suas armas contra a jovem de 26 anos agiram em “legítima defesa”.

O procurador Daniel Cameron, figura em ascensão no Partido Republicano (o mesmo do presidente Donald Trump) se emocionou ao comentar o julgamento, admitindo que muitos possam ficar revoltados com o resultado, mas defendendo que “justiça popular não é justiça” e que “justiça com base na violência é apenas vingança”. Cameron, que também é negro, elogiou ainda o “trabalho” da polícia.

Os três policiais, todos brancos, invadiram à paisana o apartamento de Taylor, sob o pretexto de cumprir mandado de busca por “tráfico de drogas”, em 13 de março.

Segundo os familiares da vítima, eles entraram no local sem se identificar e já abrindo fogo, o que fez com que o namorado de Breonna, o ex-jogador de futebol americano Kenneth Walker, utilizasse uma arma legalizada de que possuía para tentar proteger os moradores da casa.

Os policiais dispararam 32 vezes, matando Breonna, que foi alvejada por pelo menos cinco balas. Atingiram também um apartamento vizinho, onde estavam três pessoas, incluindo uma mulher grávida e uma criança.

Nenhum tiro atingiu Kenneth, que foi preso e indiciado por “tentativa de homicídio”, acusação posteriormente retirada pela promotoria. Para ser liberado, ele teve de pagar uma fiança de U$ 250 mil (mais de 16 vezes o valor da estipulada para Henkinson).

Não foram encontradas drogas na residência.

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