Protestos antirracistas completam 37 dias em Portland, nos EUA

Manifestantes resistem à forte repressão contra as manifestações antirracistas que denunciam justamente a violência do Estado.

Foto: Shauna Sowersby

A cidade de , no estado do Oregon, nos Estados Unidos (), completou nesta sexta-feira, 3 de julho, o 37º dia consecutivo de protestos desde o assassinato de George Floyd. Nos últimos 10 dias os conflitos voltaram a se intensificar contra a repressão policial. Pela terceira vez nesta semana, um “motim” foi declarado no centro da cidade pela polícia, quando dois prédios do governo foram atacados. O Tribunal Federal de Hatfield foi atacado na madrugada de ontem (4/7) durante mais uma manifestação. E manifestantes invadiram o Centro de Justiça. Os protestos contra o racismo e a violência policial continuam em várias cidades do país, tanto o pacífico quanto o violento. Mais de um mês após a morte de Floyd, a revolta permanece.

Nesta sexta-feira, 3 de julho, os manifestantes usaram garrafas, pedras, fogos de artifício e explosivos improvisados ​​para atacar policiais de agências federais e locais. Picharam toda a fachada do edifício do Tribunal Federal e do Centro de Justiça da cidade. Barricadas foram erguidas e incendiadas. Como em Seattle, os manifestantes criaram barricadas com a intenção de isolar uma área, buscando repetir uma zona autônoma no local.

Nessa última semana a polícia reprimiu fortemente as manifestações com centenas de bombas de gás lacrimogêneo, tiros de balas de borracha, agressões com cassetetes e prisões ilegais. Inclusive jornalistas foram detidas.

Manifestantes acusam a polícia de Portland de usar gás lacrimogêneo. Atualmente há uma ordem de restrição temporária que limita o uso de gás lacrimogêneo pelo Departamento de Polícia de Portland contra manifestantes, depois que um juiz prorrogou a ordem até 24 de julho. Só pode ser usado se “vidas ou a segurança do público ou da polícia estiverem em risco”. Os policiais, no entanto, usaram gás para dispersar a população. Vídeos compartilhados provam o uso e contradizem a polícia, que afirmava não ter utilizado gás.

Há muita reclamação por parte da população contra o uso do gás, porque a polícia está utilizando em bairros residenciais, fazendo com que pessoas em suas casas com asma e deficiências respiratórias e físicas procurem ajuda. “Esta é a América. Isso é tirania. Nós devemos lutar”, diz uma mulher.

Oficiais federais estavam no Tribunal Federal durante a noite para proteger a “integridade” do edifício, ou melhor dizendo, proteger a propriedade privada. Os policiais atacaram manifestantes e atiraram à queima roupa em várias pessoas, inclusive jornalistas [vídeo]. No início da semana, o Departamento de Segurança Interna anunciou que uma força-tarefa seria implantada para proteger monumentos históricos, estátuas e instalações federais antes do fim de semana do feriado de 4 de julho. Reflexo das várias referências racistas que foram destruídas em diversas cidade pelo país no último mês. Muitas delas eram comemoradas no feriado de 4 de julho nos EUA.

3 de julho – Policiais federais atiram à queima roupa em manifestantes
1 de julho – Polícia reprime população com dezenas de gás lacrimogêneo
27 de junho – Polícia agride diversas pessoas

No dia 26 de junho, os manifestantes atearam fogo em parte de uma delegacia de polícia. Com o objetivo de criar legitimidade para as ações repressivas, a polícia tratou o como um “motim” neste dia.

26 de junho – Barricada incendiada no centro de Portland

Um banco foi arrombado, suas vidraças quebradas e uma pichação dizia: “Os protestos são eficazes quando são caros”. Traduzindo: a não violência jamais acabará com o sistema capitalista. Essa tem sido a estratégia declarada dos antifascistas e das antifascistas em Portland. Eles mantiveram mais de 28 dias de protestos violentos contra símbolos capitalistas e supremacistas brancos.

Segundo jornais locais, 10 pessoas foram presas. Um jovem de 19 anos foi preso pela polícia federal. As outras nove pessoas foram presas pela polícia de Portland. Oito permanecem detidos e um foi citado e liberado.

Os oito que estão detidos na cadeia do condado de Multnomah enfrentam uma variedade de acusações individuais: interferir com um oficial de paz, conduta desordeira, resistir à prisão, agredir um policial. Os presos são Isaiah Emanuel Jackson, 35; Laurielle Yvette Aviles, 28; Kristina Lynn Naranjorivera, 34; Sábio Patterson, 20; Dane A. Zielinski, 26; Gabriel Phillipa Sprague, 30; Patrick Mellon, 37; e Alexander Michael Sundine, 26.

O Comitê de Defesa Geral Local 1 em Portland, estabeleceu um levantamento de fundos para cobrir a fiança e outras despesas legais para os manifestantes presos na cidade pelos protestos contra o assassinato de George Floyd – morto pela polícia de Minneapolis – e a brutalidade da policial.

Rafael Daguerre

Fotojornalista/Videorrepórter

Um dos fundadores da Mídia1508. "Ficar de joelhos não é racional. É renunciar a ser livre. Mesmo os escravos por vocação devem ser obrigados a ser livres, quando as algemas forem quebradas" ― Carlos Marighella.

Deixe seu comentário

Your email address will not be published.