Manifestantes incendeiam ônibus após execução de adolescente em São Paulo

Além da brutalidade policial, outro fator que aumentou a indignação dos moradores foi ter chegado a eles a informação de que as emissoras de TV Record e Bandeirantes estavam veiculando a versão de que Guilherme seria um "assaltante".

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Imagem: Reprodução

Moradores atearam fogo em ônibus e enfrentaram a polícia, na noite desta segunda-feira (15), em Vila Clara, zona sul de São Paulo, durante um pelo assassinato do adolescente Guilherme Silva Guedes, de 15 anos. A família acusa policiais militares de terem sido os responsáveis pelo crime.

O menino sumiu na madrugada de sábado (13). Seu corpo foi encontrado ontem no IML Sul, no Brooklyn, com sinais de tortura e tiros na cabeça e nas mãos. De acordo com os familiares, ele foi morto por dois policiais militares que faziam bico como vigilantes em um galpão na região.

Câmeras de segurança filmaram Guilherme pouco antes de seu sumiço. Nas imagens, ele conversa com um amigo por um tempo, até que fica sozinho, em frente à casa de sua avó. Logo depois, dois homens chegam ao local. Um deles esconde um objeto parecido com uma arma em suas mãos. A família de Guilherme encontrou um pedaço de pano semelhante a farda utilizada pela corporação com a inscrição “SD PM Paulo”, no local onde o adolescente foi levado.

O começou por volta das 17h. Os moradores fecharam uma das vias do bairro e exibiam cartazes com pedidos de justiça. Agentes do Batalhão de Choque e da Força Tática da PM chegaram ao local para reprimir o ato, sendo recebidos com pedras e barricadas incendiadas. Sete ônibus foram queimados e ao menos duas viaturas da Guarda Civil Metropolitana (GCM) foram apedrejadas durante o confronto, que se estendeu até a cidade de Diadema, região metropolitana de São Paulo.

Às 23h 35m, um grupo de moradores ainda caminhava pelas ruas, gritando “justiça!” por Guilherme. Algumas barricadas ainda eram erguidas.

Vídeos da dos moradores:

Os relatos de que a permanecia na região agredindo e ameaçando os moradores não foram poucos. Diversos vídeos circulam nas rede socais em que policiais agridem pessoas deliberadamente. Moradoras denunciaram que policiais fizeram ameaças caso elas não entrassem em casa.

Na avaliação de uma delas, a fez com que a manifestação durasse ainda mais: “a não pára [de reprimir], então o pessoal também não parou“, explicou em um áudio.

Além da brutalidade policial, outro fator que aumentou a indignação dos moradores foi ter chegado a eles a informação de que as emissoras de TV Record e estavam veiculando a versão de que Guilherme seria um “assaltante”.

era bagunceiro, ele não era ruim, ele era quieto. […] Eu não me lembro de ter dado uma bronca nesse menino. Ele não era ruim não, nem se fosse. Covardia, muita covardia”, diz aos prantos uma professora de Guilherme.

Assista alguns vídeos das agressões da polícia:

O enterro do Guilherme será amanhã (16) no Cemitério de Embu. Uma nova manifestação pedindo justiça para o menino, que aos 15 anos foi torturado e executado, foi marcada para a mesma data.

Mídia1508

A 1508 é um coletivo de jornalismo independente anticapitalista, dedicado a expor as injustiças sociais brasileiras e a noticiar as mobilizações populares no Brasil e no mundo.

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