PM protege neonazistas e reprime manifestantes a favor da democracia

Os bolsonaristas carregavam bandeiras do partido ultranacionalista ucraniano conhecido como Pravy Sektor (“Setor Direito”).

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Foto: Fábio Vieira

Na tarde do último domingo (31), a avenida Paulista transformou-se em palco de um confronto entre a Polícia Militar e participantes de um ato organizado por torcidas de futebol, que criticavam o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e pediam a defesa da democracia. A repressão teve início depois do encontro entre o grupo de torcedores e apoiadores de Bolsonaro, que começaram uma manifestação no mesmo local, logo em seguida.

Após o ocorrido, o secretário-executivo da PM, o coronel Álvaro Batista Camilo, declarou à imprensa que pessoas que portavam bandeiras de cunho neonazista foram o estopim do conflito. Camilo não quis especificar a qual dos lados pertencia os símbolos de ódio, mas diversos registros fotográficos demonstram que foram trazidos por bolsonaristas. Os agentes da corporação, por sinal, se portaram o tempo todo como verdadeiros seguranças particulares do ato de extrema direita, que em nenhum momento foi incomodado pelas bombas e balas de borracha, todas direcionadas contra os manifestantes de oposição.

Os bolsonaristas carregavam bandeiras do partido ultranacionalista ucraniano conhecido como Pravy Sektor (“Setor Direito”). Mistura de movimento político e grupo paramilitar, a organização se reivindica herdeira do Exército Insurrecional Ucraniano, milícia que durante a segunda guerra mundial se aliou aos nazistas no extermínio de judeus, poloneses, comunistas e ciganos no país do Leste Europeu.

Em um dos vídeos da manifestação que circulam na rede, uma mulher aparece portando um taco de baseball, arma comumente usada pelos neonazistas ucranianos. Ela ameaça torcedores e faz gestos obscenos. Em seguida, é gentilmente escoltada por um policial militar.

“Senhora, por favor, vamos para lá”, diz o PM, enquanto a encaminha de volta para o ato pró-governo. A mulher usava uma máscara tampando a boca e o nariz com as cores da bandeira dos EUA. Em meio à confusão, ela afirma que vai enfiar o bastão em alguém que a está criticando.

Apesar do comportamento violento, não só a bolsonarista não sofre nenhum tipo de repreensão pelo policial, como nem mesmo tem seu artefato apreendido. A cena provoca indignação dos cinegrafistas que a registram.

“Isso é arma branca, policial! E se o manifestante do outro lado fosse pego com isso, o que você faria com ele?” questiona um dos jornalistas, do portal Democratize, sem obter resposta. Assista:

O ato no Rio

A atuação da PM como polícia política do bolsonarismo também ficou flagrante no . Em uma live feita pelo deputado Daniel Silveira (PSL), um policial aparece afirmando ao parlamentar ter mandado queimar uma bandeira de um grupo contrário ao presidente. A transmissão aconteceu durante o confronto de dois atos, um pró e outro contra Bolsonaro, realizados na praia de Copacabana, na manhã de domingo (31).

Nas imagens, o grupo avesso a Bolsonaro segura uma faixa com os dizeres “Democracia rubro-negra”, produzida por membros da torcida Flamengo Antifascista. Em outros registros, há ainda bandeiras com os dizeres “Ditadura nunca mais, Bolsonaro genocida” e “Militares assassinos, pátria racista, ditadura nunca acabou”.

Ao pedir para ir até os manifestantes, Silveira ouviu de um agente que ele já tinha mandado queimar uma das bandeiras. “Meus amigos tá ali, já mandei eles ir lá queimar aquela bandeira ali”, comentou o policial, chamado pelo deputado de “capitão”. A PM chegou a lançar bombas (apenas contra os manifestantes contrários ao governo federal). Pouco depois, na esteira da dispersão, moradores de prédios do bairro puxaram gritos de repúdio ao presidente.

Uma colaboradora da Mídia1508 acompanhou o evento e foi xingada por mulheres bolsonaristas, que comemoraram o assassinato da vereadora e ativista Marielle Franco.

https://www.facebook.com/215384378831320/videos/308561950164638/

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