Vítima foi abordada por atiradores no momento em que iria comprar pão. Foto: Rickardo Marques

Um líder indígena da etnia Apurinã, de 44 anos, foi executado a tiros na manhã desta terça-feira (6). Ele foi baleado perto de casa, em um conjunto habitacional no bairro Monte das Oliveiras, na Zona Norte de . Carlos Alberto Mackpak, saiu de casa para comprar pão pouco antes das 8h. Depois de caminhar alguns metros pela via, dois homens se aproximaram a pé e abriram fogo contra o apurinã. Estima-se, inicialmente, que foram, ao menos, cinco tiros.

O tuxaua – liderança comunitária – morreu no local. Segundo sua companheira, ele apoiava a retomada batizada como , também na zona norte da capital amazonense.  Os defendem que a área lhes é de direito ancestral e tentam obter posse legítima da terra, mas tem de conviver com constantes ameaças, tanto do Estado, quanto de facções de traficantes locais.

“Eu só sei uma coisa: estão matando os indígenas. Tem alguém ameaçando eles, pois tão matando os indígenas. Ele era tuxaua, uma liderança daqui.”, disse a mulher, que preferiu não se identificar.

Poucos meses antes,  na madrugada do dia 27 de fevereiro, o cacique Francisco de Souza Pereira, de 53 anos, da etnia Tucano, foi morto com quatro tiros na comunidade indígena Urucania, também na região.

Cemitério dos Índios

No Cemitério dos Índios, além do tráfico, os moradores ainda enfrentam uma tentativa de despejo por parte do Ministério Público Federal (MPF). Em agosto deste ano, o órgão ajuizou uma ação de reintegração de posse, alegando que a ocupação da área pelas representaria um risco para o sítio arqueológico existente no local, um dos maiores da América Latina.
“A ideia é que a gente fique aqui porque na verdade este lugar é direito de todos nós, indígenas”
O tuxaua Oyma Mackpak, de 40 anos, desmente a acusação:  “Estamos nesse lugar pelos nossos antepassados, queremos preservar isso e da melhor forma possível. A ideia é que a gente fique aqui porque na verdade este lugar é direito de todos nós, indígenas”, explica. “Estamos em busca de algo melhor, oportunidade, trabalho e moradia por isso a ideia de nós virmos para cá. Todos nós estávamos espalhados, morando na casa de parentes e vivendo de aluguel. Estamos aqui lutando, construindo devagarzinho nossas casas”

Cemitério dos Índios. Foto: Gilson Melo

O discurso é reforçado por um dos caciques da comunidade, o também apurinã Joel Rodrigues, de 44, anos. Joel, que trabalha como carpinteiro, conta que o grupo aguarda respostas dos órgãos federais.  “Eu procurei os órgão públicos para ver como nós podemos proceder, porque a maioria aqui do povo não tem para onde ir”.
Atualmente, residem no Cemitério cerca de 380 famílias de 17 etnias diferentes, como Kokama, Apurinã, Mura, Kambeba, Baré, Munduruku, Desano e Saterê Mawé.  “Aqui um se comove com o outro, nós somos todos parentes, temos o mesmo sangue na veia” afirma.