“Foi tudo muito rápido. Atiraram para matar”, diz Joelma Rios, de 44 anos, vocalista da banda cearense Sala de Reboco. Na madrugada desta sexta-feira (5), ela e outras quatro pessoas — duas dançarinas, o sanfoneiro e um motorista — estavam em um carro, quando o veículo foi atingido por tiros disparados por policiais militares na região de , no interior da . O ataque provocou  a morte da bailarina Gabriela Amorim, de apenas 25 anos.

Além de Gabriela, também foram atingidos Joelma, de 44 anos, e o sanfoneiro Eliedelson Possidônio Júnior, de 32, que corre o risco de perder a perna. Ele teve dois ossos fraturados e a panturrilha estraçalhada por um tiro de rifle.

A cantora foi atingida nas nádegas e de raspão no braço. Após receber atendimento, foi liberada do hospital.

“Infelizmente perdemos nossa companheira, Gabi. Era uma menina maravilhosa, tão meiga. A gente vai voltar sem ela, a família esperando”, lamentou.

Ela conta que o carro da banda passou a ser perseguido por outro veículo e que eles não perceberam que era uma viatura pois as luzes estavam baixas e o giroflex desligado. “As meninas perceberam e falaram: ‘Tem alguém seguindo a gente’. Para desviar seguimos por outras ruas da cidade e chegamos a achar que não tinha mais ninguém nos seguindo. Até que tinha um carro atravessado na rua, no escuro e só ouvimos os disparos. Assustado, o motorista acelerou. Cada um tem uma reação diante de um caso desconhecido”, relembra.

Gabi Amorim, dançarina assassinada em abordagem policial na Bahia — Foto: Reprodução/Instagram

Sobrevivente desmente versão da PM

Como de costume nesse tipo de caso, mais uma vez, a PM tenta se eximir da responsabilidade, culpabilizando as vítimas. Por meio de nota, a corporação informou que o veículo teria furado dois bloqueios feitos pela polícia e que foram encontradas garrafas de bebidas alcoólicas no interior do automóvel. Como se isso fosse um motivo muito razoável para se fuzilar um carro cheio de pessoas.

Joelma desmente essa versão. Ela nega que havia garrafa de bebida alcoólica no carro e que estavam na contramão. Também afirma não ter havido nenhum bloqueio policial.

“Se a gente tivesse furado o bloqueio, os tiros teriam sido no fundo do carro, mas os disparos também foram na frente do veículo. Possidônio, o sanfoneiro, foi atingido e estava sentado no banco da frente do carro. Vieram tiros de frente e não foi de imediato que percebemos que foi a polícia. Se a gente notasse que era uma abordagem policial, nós teríamos parado porque não devemos nada a ninguém e não estávamos cometendo qualquer crime”, contou.

“Eu saí do carro gritando e com as mãos para cima: ‘Parem de atirar, somos músicos, somos trabalhadores. Parem pelo amor de Deus’. Foi aí que eles pararam. Daí eu vi que Gabi tinha sido atingida. As testemunhas se assustaram. As pessoas começaram a sair das suas casas. Espero que isso não fique impune por uma atitude impensada. Me senti uma ladra de alta periculosidade, um lixo, passar por tudo isso”, concluiu.

Vocalista da banda, Joelma Rios, relatou como crime aconteceu — Foto: Reprodução/Instagram

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