Uma operação da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) deixou crianças de uma escola próxima ao Complexo de favelas de , na zona norte do , no meio do fogo cruzado pelo terceiro dia consecutivo nesta quinta-feira (4). Na Escola Municipal Professora Maria de Cerqueira e Silva, que fica na rua Leopoldo Bulhões, crianças precisaram se jogar no chão para se proteger dos disparos.

A mãe de uma aluna, que não quis se identificar, reclamou dos tiroteios frequentes. Ela contou que sua filha é parte da turma que aparece na foto, do 3º ano do ensino fundamental. Lembrou ainda que é dia de provas na rede municipal e que as crianças sequer conseguiram terminá-las. Na foto, é possível ver as avaliações sobre as mesas.

“Os policiais chegam atirando sem nem pensar em nossas crianças que precisam estudar, [helicóptero] águia também atirando a todo para baixo. Isso está ocorrendo a semana inteira! As crianças que já têm dificuldade de aprendizado só pioram, porque isso é o cotidiano”, desabafou.

Alunos se jogam no chão para se proteger dos tiros / Foto: Reprodução

A moradora também relatou dificuldades para trazer a filha de volta para casa em segurança. Ela conta que já há uma rotina de cautela por conta da recorrência das ações. Perto dali, há também a Creche Municipal Chico Bento, a 200 metros, e o Espaço de Desenvolvimento Infantil Doutor Domingos Arthur Machado Filho, a 500 metros.

“Assim que começa o tiroteio, somos comunicados e esperamos um pouco para pegar as crianças na escola, que é de frente para rua onde ocorrem os disparos. Assim como hoje, toda semana as crianças ficam jogadas pelo chão da escola pra se proteger. Fui comunicada as 9 e pouca da manhã; às 10 peguei minha filha. No meio do caminho para casa, o águia passou atirando de novo”, recorda.

A página Onde Tem Tiroteio (OTT-RJ) registrou que os disparos começaram por volta das 9h30 e podiam ser ouvidos nas proximidades da localidade Mandela 2. Um vídeo publicado pela página mostra motoristas retornando na contramão da rua Leopoldo Bulhões.

Na manhã da última quarta-feira (3), uma operação policial da Unidade de Polícia Pacificadora e 16º batalhão (Olaria) nas comunidades Manguinhos e Mandela, na Zona Norte do Rio, interrompeu o trânsito na Rua Leopoldo Bulhões e a circulação dos trens da SuperVia.

Por volta das 6h10, os trens do ramal Gramacho-Saracuruna tiveram as partidas para a Central do Brasil suspensas devido aos tiroteios em Manguinhos. Às 6h30, a Rua Leopoldo Bulhões também foi fechada pelos agentes nos dois sentidos, só sendo liberada totalmente duas horas depois. Na terça-feira (2), um homem, que não teve sua identidade divulgada, foi morto pela PM na Avenida Dom Helder Câmara, durante outra operação.

O movimento comunitário Mães de Manguinhos criticou a rotina de terror imposta pela polícia à . “Seguimos sendo alvo do do estado, caveirão voador sobre Manguinhos mais um dia de espetáculos! […] Somos mais de 35 mil moradores tendo suas vidas violentadas e seus direitos não garantidos!” afirmaram, em uma rede social.

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