Movimento ‘Parem de nos matar’ foi organizado por moradores e movimentos sociais. O ato aconteceu em Ipanema, na zona sul do .

Centenas de manifestantes realizaram neste domingo (26) um ato na Praia de Ipanema, na zona sul da cidade, contra a política de terror do estado do Rio de Janeiro, nas favelas e periferias. No início do mês de maio o número de mortes por intervenção policial em 2019 foi o maior dos últimos 20 anos. Foram mais de 400 pessoas mortas por policiais no primeiro trimestre de 2019, uma média de 7 mortes por dia.

Dezenas de mães e familiares de vítimas de carregavam cartazes que traziam a fotografia de seus filhos. Elas falaram sobre os assassinatos e denunciaram o terrorismo estatal nas áreas pobres e de maioria negra.

Os organizadores da manifestação apontaram dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) como um dos motivos para o ato de . Segundo eles, um detalhe ainda mais assustador é perceber que este número é oficial, de um órgão do próprio estado, o que leva a crer que as mortes causadas por policiais sejam ainda maiores.

Entrevistamos Bruna da Silva, mãe de Marcus Vinícius, de apenas 14 anos, que foi morto pela PM enquanto caminhava para a escola em junho do ano passado, no Conjunto de Favelas da Maré, zona norte do Rio. Assista:

Segundo o relato da testemunha que socorreu o menino, o tiro que atingiu o adolescente partiu da polícia.

“De bandido não tinha troca de tiro na rua. A única coisa que tinha dando tiro dentro da comunidade era o helicóptero de cima para baixo. Não tinha troca de tiro na comunidade […] As únicas pessoas que tinham na rua eram eles, porque a rua estava vazia”, afirmou a testemunha. “Quando cheguei na UPA ele estava com vida. Ele falou ‘mãe eu sei quem atirou em mim, eu vi quem atirou em mim’. Eu falei ‘meu filho, quem foi que atirou em você?’. ‘Foi o blindado, mãe. Ele não me viu com a roupa de escola’”, disse Bruna da Silva. A frase de Marcus se transformou em um símbolo de luta.

Em outra entrevista, Mônica Cunha, mãe de Rafael da Silva Cunha, morto por um policial civil aos 20 anos, denuncia a violência do Degase e o que representa ser uma mulher negra no Brasil e no Rio de Janeiro. Assista:

Letalidade policial no Rio é a maior dos últimos 20 anos

As Polícias Militar e Civil do Rio de Janeiro mataram 434 pessoas no primeiro trimestre de 2019, segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP-RJ). Os antigos “autos de resistência” – hoje chamados de mortes por intervenção policial – somaram os 434 casos de janeiro a março, numa média de sete óbitos por dia. É um recorde para o período na série estatística de quase 21 anos, iniciada em 1998. No ano passado, foram 368 mortes no mesmo período.

Cinco dos oito trimestres com mais casos desde o início da série histórica são justamente os cinco mais recentes: os quatro de 2018 e o primeiro de 2019. Em comparação com os primeiros três meses do ano passado, o mesmo período deste ano apresentou um aumento de 18% nas mortes. Antes de 2018, ano da intervenção militar na segurança pública, o estado nunca havia ultrapassado a marca de 400 mortes pelas mãos de policiais em três meses.

As mortes continuam no trimestre em curso. Só em quatro dias de maio, da sexta-feira, dia 3, à segunda-feira, dia 6, pelo menos 13 pessoas morreram por ação policial: quatro no morro do Borel (zona norte), uma na Rocinha (zona sul) e oito no Conjunto de Favelas da Maré (zona norte).

Mãe de Marielle Franco fala durante o protesto / Foto: Rafael Daguerre – Mídia1508

Fotografias de vítimas de violência policial expostas no chão / Foto: Rafael Daguerre – Mídia1508

Mães carregam fotografias de seus filhos e filhas assassinados pelo Estado / Foto: Rafael Daguerre – Mídia1508

Cartaz com a fotografia de criança assassinada durante operação policial / Foto: Rafael Daguerre – Mídia1508

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