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Deputado monarquista do PSL relativiza escravidão: “faz parte do ser humano”

O parlamentar foi vaiado por militantes do movimento negro que acompanhavam a sessão.

Foto: Reprodução

O deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança, eleito pelo , foi vaiado ao relativizar a escravidão durante uma sessão solene na Câmara dos Deputados nesta terça-feira 14. Bragança, que é descendente da família real portuguesa, afirmou que a escravidão é uma “condição humana”, minimizando a questão racial que marcou o tráfico humano nas Américas.

“Escravidão de atenienses e espartanos, entre os povos asiáticos, entre tribos africanas. Das tribos indígenas umas com as outras. Independente de raça, mas entre si. Faz parte de um aspecto do ser humano”, afirmou, durante a cerimônia, que lembrava os 131 anos da assinatura da Lei Áurea.

O parlamentar foi vaiado por militantes do movimento negro que acompanhavam a sessão.

O ativista e escritor Henrique Oliveira pontua que a fala de Bragança escamoteia uma diferença fundamental entre a escravidão existente durante a antiguidade e a que vigorou no Brasil e em outros países, já sob a égide do sistema capitalista:

“A escravidão foi restabelecida pela colonização, pela necessidade de produzir em larga escala na formação do capitalismo, em nenhuma sociedade que anteriormente teve escravo eram eles os principais produtores de riqueza, existiam sociedade com escravos, a nossa sociedade era escravista, a base social era a escravidão” afirma, se baseando nos estudos da historiadora Olívia Gomes da Cunha.

Para Oliveira, “o que faltou no Brasil na verdade foi guilhotina, porque na França, Rússia ou Haiti, não existem herdeiros da família real defendendo a monarquia, a escravidão ou a servidão. Esse é o perigo de vangloriarmos a Lei Áurea e a princesa Isabel, e ignorarmos que a maioria da população negra já era livre ou liberta em 1888, e lutou pela liberdade de todas as formas possíveis.”

“Não à toa, os racistas encomendam livros ‘politicamente incorretos’ e historicamente irresponsáveis, para atacar a memória de Zumbi, porque no fundo o que os brancos querem é gratidão e subserviência dos negros!”, conclui.

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