wvXX0P4c6Kk

A Rodovia Amaral Peixoto (RJ-106) foi fechada entre a manhã e a tarde desta segunda-feira (13), na altura do km 07 no bairro de Rio do Ouro em , região metropolitana do Rio. O bloqueio ocorreu em contra uma operação do Batalhão de Choque da PM, que deixou pelo menos um morto e dois feridos na da Linha. Os manifestantes ergueram uma barricada em chamas para interromper o trânsito.

Vídeos circulam em redes sociais com registros da manifestação. “Esse governo merda do Bolsonaro! Esse filho da puta tá matando pai de família!” se indigna uma mulher, durante uma das gravações.

Um site de notícias locais chegou a divulgar uma imagem da suposta participação de “homens armados” no ato. A informação, no entanto, teve de ser desmentida após ser revelado que a única pessoa que aparece à paisana e segurando um fuzil na foto era na verdade um policial civil que atuava na repressão ao protesto.

Foto: Reprodução

Operações policiais também levaram o terror às favelas da capital fluminense neste início de semana. Ainda pela parte da manhã, pelo menos dois homens morreram e um ficou ferido durante uma ação da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), no morro do Vidigal, zona sul da cidade. Em uma imagem, compartilhada na Internet, um policial aparece sentado em uma das viaturas utilizadas na operação carregando três corpos na região.

Corpos dentro de uma viatura da PM durante ação deste segunda-feira no Vidigal / Foto: Reprodução

Durante a tarde, uma incursão da Coordenação de Recursos Especiais (CORE) ao Complexo da Maré deixou em pânico os moradores das favelas Nova Holanda, Rubens Vaz e Parque União, na zona norte. Segundo a publicação da página comunitária Maré Vive, por conta dos disparos, professores e alunos ficaram presos na Escola Municipal Hélio Smidt.

Crianças e professores ficaram presos dentro de escola na Maré / Foto: Reprodução

Os comentários das publicações em redes sociais davam conta do clima tenso vivido pelos moradores:

“Foi desespero aqui no campo da malha. Criança e adulto jogando no campo e de repente muito tiro de cima pra baixo”, afirmou uma mulher.

“Helicóptero tá sobrevoando o Conjunto Esperança baixinho”, relatou outra.

“Tô com minhas filhas presas na creche, sem conseguir pegar e sem saber que horas vou. Isso é um absurdo”, comentou uma terceira.

Letalidade policial no Rio é a maior dos últimos 21 anos

As Polícias Militar e Civil do Rio mataram 434 pessoas de janeiro a março deste ano, segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP-RJ). Foram quase cinco (4,82) mortos por dia, recorde para o período na série estatística de 21 anos, iniciada em 1998.

Cinco dos oito trimestres com mais casos desde o início da série histórica são justamente os cinco mais recentes: os quatro de 2018 e o primeiro de 2019. Em comparação com os primeiros três meses do ano passado, o mesmo período deste ano apresentou um aumento de 18% nas mortes. Antes de 2018, ano da intervenção militar na segurança pública, o estado nunca havia ultrapassado a marca de 400 mortes pelas mãos de policiais em três meses.

As mortes continuam no trimestre em curso. Só em quatro dias de maio, da sexta-feira, dia 3, à segunda-feira, dia 6, pelo menos 13 pessoas morreram por ação policial: quatro no morro do Borel (zona norte), uma na  (zona sul) e oito nas favelas do Complexo da  (zona norte).

Deixe seu comentário: