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Oito pessoas foram mortas pela Coordenação de Recursos Especiais (CORE) da Polícia Civil no Conjunto de Favelas da , zona norte do , nesta segunda-feira (6). Segundo moradores, esse número é ainda maior. A ação ocorreu apenas dois dias depois  do governador do Rio sobrevoar de helicóptero Angra dos Reis, de onde snipers da mesma divisão policial atiraram a esmo contra a população.

De acordo com a página Maré Vive, os confrontos se concentraram nas favelas Palace (Conjunto Esperança), Salsa e Merengue e Vila do João. Moradores denunciam que o helicóptero da guarnição atirou do alto no horário em que as crianças saíam da escola. Dentro dos colégios, os alunos tiveram que se jogar ao chão para se proteger dos disparos. A rotina na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) também foi alterada, e um dos prédios da instituição chegou a ser esvaziado.

Alunos do projeto Orquestra da Maré tiveram que ter aulas no corredor para se proteger do tiroteio do lado de fora da Escola Municipal Medalhista Olímpico Lucas Saatkamp, na Salsa e Merengue, favelas do Conjunto de Favelas da Maré.

“Levamos para o corredor e começamos a tocar para distrair as crianças e deixar o clima menos tenso. Fizemos a aula lá” conta Carlos Prazeres, diretor do projeto:

“É ruim as aulas serem interrompidas assim, mas faz parte. A gente não vai desistir. Foram mais ou menos 30, 40 minutos no corredor.”

Crianças ficam no corredor da escola na Maré / Foto: Maré Vive

“A polícia entrou atirando. Era muito tiro. Muito tiro em cima das crianças. A gente estava no pátio” relatou uma professora, chorando.

“Meu Deus , uma dessas crianças da foto é meu filho! Estou no trabalho, revoltado com esse Estado… mas Deus está no controle de tudo”, lamentou um morador.

“Cuidado, pessoal, eu fui buscar meu filho na escola Marielle Franco e as crianças estão deitadas no refeitório”, alertou outro.

“Alvejaram minha casa, que é de telha, estou passando mal. Isso é uma falta de respeito com as pessoas! Achei que ia quebrar, meu irmão assustado, meus cachorros chorando… tenho problema no coração, imagina como não fiquei? Achei que ia morrer”, desabafou uma mulher.

“Eu estava saindo para trabalhar e nesse mesmo horário várias crianças saíam da escola. Do nada o Águia começou a dar tiros para baixo, bem próximo a escola e todas pessoas que estavam ali correram. Era triste ver o choro desesperador das crianças”, disse outro morador.

Em voo com Witzel, polícia atira em barraca de evangélicos

No último sábado (3), o governador do (PSC) protagonizou mais uma cena bizarra. Em vídeo postado nas redes sociais, o político de extrema direita aparece em uma operação da CORE da polícia civil, na região de Angra dos Reis, embarcando em um helicóptero repleto de armas, ao lado do prefeito da cidade, Fernando Jordão (MDB), do secretário estadual de Polícia Civil, Marcus Vinícius de Almeida Braga, e do subsecretário Operacional da Polícia Civil, Fábio Barucke. Relatos de moradores denunciam que houve disparos da aeronave contra casas e até mesmo um local de oração.

“Estamos começando hoje aqui em Angra dos Reis, a pedido do prefeito Fernando Jordão,  uma operação. Começando com a Core, a  Polícia Militar e a Polícia Civil para acabar de vez com essa bandidagem que  está aterrorizando a nossa Cidade Maravilhosa e de Angra dos Reis. Estamos de helicóptero e vamos começar hoje. Acabou a bagunça”, bravateia Witzel na peça de propaganda, divulgada em seu Twitter.

Em seguida, as imagens mostram um atirador ao lado do governador disparando uma rajada de fuzil contra uma tenda no alto de um morro do bairro Campo Belo. O que eles pensavam ser um ponto de observação do narcotráfico, no entanto, era uma barraca construída por evangélicos para ser usada em retiros espirituais.

“Essa barraca que policiais atiraram é de um irmão em Cristo que fica ali no monte do campo Belo onde todos os cristãos da região usam como lugar de oração. Meu Deus esse prefeito sem noção” publicou em seu perfil de Facebook o religioso Shirton Leone. Outros relatos destacam que houve disparos da aeronave contra as moradias do bairro.

Número de mortos pela polícia bate recorde histórico

O Rio de Janeiro apresenta crescimento da letalidade policial desde que Witzel tomou posse como governador do estado em 1º de janeiro de 2019. No primeiro trimestre deste ano, já foram registrados 434 homicídios decorrentes de intervenção policial, uma média de quatro por dia.

Segundo um levantamento com base em dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), o número de mortos classificados como “em confronto” nos primeiros 90 dias de 2019 é o mais alto entre os registrados nos 85 trimestres desde 1998, quando começou a contabilizar o tipo de estatística no estado.

Cinco dos oito trimestres com mais casos desde o início da série histórica são justamente os cinco mais recentes: os quatro de 2018 e o primeiro de 2019. Em comparação com os primeiros três meses do ano passado, o mesmo período deste ano apresentou um aumento de 18% nas mortes. Antes de 2018, ano da intervenção militar na segurança pública, o estado nunca havia ultrapassado a marca de 400 mortes pelas mãos de policiais em três meses.

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