Embora o governo tenha recuado e retirado da reforma o aumento dos combustíveis para 2019 e com isso buscava aliviar a tensão, o resultado ainda não foi o esperado. Uma nova manifestação foi convocada para hoje em todo país e parece pouco provável que a conquista contra o aumento dos combustíveis imobilize completamente o movimento social que incorporou diferentes causas, como a demanda para aumentar os impostos sobre os ricos, aumentar o salário mínimo e derrubar uma polêmica reforma educacional. O dos “” de hoje foi chamado de “Ato IV”, pois é o quarto fim de semana seguido que há mobilização em diversas cidades.

Estado francês aplica terror contra movimento dos trabalhadores. Um número assustador de cerca de 1.723 manifestantes foram presos em toda a neste sábado (08/12). As táticas de repressão mudaram. Os policiais pararam e revistaram todos, independentemente de estarem ou não usando colete amarelo. Esvaziaram bolsas, confiscaram máscaras faciais que poderiam ser usadas contra gás lacrimogêneo, capacetes, martelos e qualquer coisa que pudesse ser usada como um projétil, incluindo até bolas de beisebol. Houve também centenas de “detenções preventivas”. Ao meio-dia, o Ministério do Interior anunciou que 548 pessoas haviam sido presas, 272 delas em prisão preventiva. Em 2 de dezembro, houve um total de 412 detenções durante todo o dia.

bateu o recorde com 1.082 detenções, contra 412 no sábado anterior, incluindo pessoas presas por portar martelos, bolas de boliche e outros objetos que podem ser usados como armas

Um grupo de “Gilets Jaunes” tentou bloquear o Péripherique , a estrada circular de Paris, a oeste da cidade. Fora da capital, mais de 2.000 se manifestaram no porto mediterrâneo de Marselha. E houve protestos em Grenoble, Saint-Étienne e na capital belga, Bruxelas. Os manifestantes afirmam que a decisão do governo na semana passada de deixar cair o imposto sobre o combustível era tarde demais. Desde então, os “Gilets Jaunes” ampliaram suas exigências para incluir impostos mais baixos, salários mais altos e mais poder de compra.

“O governo está errado se acha que o imposto sobre combustíveis é o único problema. O problema é o custo de vida, pensões reduzidas… problemas com os quais temos que lidar todos os dias”, disse um manifestante.

Em toda a cidade, o bloqueio antes do amanhecer continuou. No que deveria ter sido um dos dias de compras mais movimentados do ano, quinze dias antes do Natal, Paris estava estranhamente quieta. As fachadas de suas célebres lojas de departamento, Galeries Lafayette e Printemps, estavam escuras, suas luzes de Natal e decorações de janelas apagadas e cobertas de persianas. Em uma delas, a pichação ilustra a revolta popular: “sem Natal para os burgueses” (foto). Dezenas de estações de metrô foram fechadas e ônibus cancelados. Mais de uma dezena de monumentos e museus foram fechados, incluindo a Torre Eiffel e o Louvre; casas de ópera cancelaram performances. Seis jogos de futebol do Campeonato Francês foram cancelados.

Fotografia: Piroschka van de Wouw

O ministro do Interior da França, Christophe Castaner, disse que as prisões poderiam aumentar durante a noite, enquanto os confrontos continuam em Paris e outras partes da França. Hoje foram empregados 89.000 policiais e agentes em todo o país. As “Forças de Segurança” usaram canhões de água sob pressão, gás lacrimogêneo e veículos blindados, usado com frequência em operações militares no exterior, mas raramente em Paris.

Enquanto os membros do movimento social “Gilets jaunes” (Coletes Amarelos) se concentravam logo cedo em uma praça, policiais se mobilizavam no meio de uma longa fila de furgões cheios de policiais de choque da Polícia Nacional francesa (CRS). Os primeiros confrontos ocorreram na manhã de sábado, com cargas e tiros de gás lacrimogêneo disparados contra os manifestantes na avenida Champs Elysees, em Paris – a maioria dos “Coletes Amarelos” ainda estavam na concentração. Os hospitais de Paris relataram 126 internações por lesões relacionadas ao protesto.

Com o passar do dia, eclodiram revoltas cada vez mais violentas entre manifestantes e a repressão policial. Um grupo de manifestantes arrancavam galhos das árvores e os incendiavam, e usavam grades de metal para construir barricadas. A polícia usou canhões de água para apagar as chamas e empurrar os manifestantes de volta, forçando-os a se dispersar pelas ruas laterais. E novas barricadas eram erguidas. Na Champs-Élysées, outro grupo de manifestantes arrancou tábuas de madeira de uma grande loja e acendeu-as. Em muitos casos, a repressão policial agiu à paisana, o conhecido P2, para identificar os que não recuam diante da repressão, em seguida, mergulhavam na multidão para agarrá-los e jogá-los em vans da polícia estacionados nas proximidades.

Agentes à paisana / Fotografia: Zakaria Abdelkafi

Veículo blindado (VBRG) usado pelo francês / Fotografia: Bertrand Guay

Policiais fazem revistas / Fotografia: Thomas Samson

Cachorros são usados contra os manifestantes / Fotografia: Ian Langsdon

Policial agride manifestantes com cassetetes / Fotografia: Alain Jocard

* Atualizado em 09/12 às 17 horas.