O presidente da França, Emmanuel Macron, desistiu de vez de aumentar o imposto sobre combustíveis. Após anunciar uma suspensão da medida por seis meses, o primeiro-ministro francês, Édouard Philippe, disse nesta terça-feira (5) que o aumento não entraria no projeto orçamentário de 2019. Macron tomou a decisão após perceber que a primeira proposta não foi bem recebida pelos “coletes amarelos” – como ficaram conhecidos os manifestantes que tomaram a França nas últimas semanas em uma revolta geral contra o governo.

“O governo está pronto para o diálogo e está mostrando isso porque esse aumento de impostos foi retirado da lei orçamentária de 2019”, disse o primeiro-ministro francês, Edouard Philippe, à câmara baixa do parlamento na quarta-feira (05), apresentando o recuo do governo.

O anúncio foi parte do acordo proposto por Philippe e aprovado pela câmara baixa do parlamento francês, a Assembleia Nacional, ontem. A proposta apresentada pelo governo prevê uma série de outras concessões, incluindo o congelamento de tarifas de gás e eletricidade e um atraso na introdução de inspeções de carros mais duras. A última medida é vista como uma repressão aos carros a diesel.

Embora os manifestantes tenham saudado a tentativa do governo de aliviar a tensão, é pouco provável que ele imobilize completamente o movimento social que incorporou diferentes causas, como a demanda para aumentar os impostos sobre os ricos, aumentar o salário mínimo e derrubar uma polêmica reforma educacional.

A autoproclamada porta-voz dos “coletes amarelos”, Jacline Mourad, disse que embora as concessões estejam “no caminho certo”, elas “não mudarão fundamentalmente o movimento”.

Os protestos continuam programados para os próximos dias, inclusive com greves planejadas por sindicatos. Não há indicação de que as manifestações se encerrem até o momento. Mourad acrescentou que ela espera que muitos dos manifestantes apareçam nas ruas apesar do anúncio, pedindo que eles pressionem o governo a ceder às suas outras demandas. Um bom exemplo de que somente a luta radicalizada é capaz de transformar.

Foto: Chesnot

O movimento que tem como símbolo o “colete amarelo”, que é item obrigatório para os veículos franceses, começou em 17 de novembro. A mobilização se espalhou rapidamente pelas redes sociais, e os protestos atingiram grandes cidades francesas causando grandes manifestações nos últimos três finais de semana.

O movimento ultrapassou as fronteiras da França. Uma centena de “coletes amarelos” belgas também se manifestaram na última sexta-feira (30) em Bruxelas. No sábado (1º), houve confronto dos manifestantes com a polícia na Avenida Champs-Elysées, em Paris, que deixou cerca de 130 feridos e mais de 400 detidos. Mais de 150 mil saíram às ruas.

Em Toulouse, milhares de pessoas também foram às ruas e os protestos foram intensos contra a repressão policial, deixando a cidade como uma zona de guerra. A cidade de sudoeste da França foi palco de um confronto de horas no sábado, com os manifestantes erguendo barricadas e fogueiras nas ruas de Toulouse.

Os “coletes amarelos” continuaram as ações na segunda-feira (3) em diversos pontos do país com bloqueios de rodovias, estradas e acessos a complexos petrolíferos.

Para o presidente Emmanuel Macron, o aumento dos impostos era necessário para combater a mudança climática e proteger o meio ambiente, a velha prática de usar as questões ambientais para fortalecer o capital. Mas o movimento evoluiu para uma revolta geral contra Macron, que muitos criticam por implementar políticas que favoreceriam apenas os membros mais ricos da sociedade francesa.