O último sábado (01) marcou o terceiro fim de semana de protestos em toda a contra o aumento do combustível e os altos custos de vida. Os conflitos que duraram horas levaram a a ponderar estado de emergência após mais um fim de semana de intensos protestos. A polícia disparou gás lacrimogêneo, granadas de efeito moral e canhões de água em batalhas campais com manifestantes dos “” em e em várias cidades pelo país. Jornalistas foram feridos por estilhaços de bombas da polícia e tiros de balas de borracha. Entretanto, a forte de nada adiantou, apenas inflamou ainda mais a dos trabalhadores que não recuaram e enfrentaram a repressão policial. Dos mais de 100 feridos, boa parte era de policiais.

Mais de 265 pessoas foram presas na capital francesa, durante o em que manifestantes queimaram carros, quebraram vitrines e jogaram projéteis e pedras contra a repressão. Manifestantes sentaram-se sob o Arco do Triunfo e cantaram para que o presidente francês Emmanuel Macron renunciasse. A França neste momento é palco de uma onda de manifestações populares desde 17 de novembro, que reivindica dentre outras pautas barrar o aumento nos impostos sobre combustíveis, proposta pelo Governo do Presidente Macron a partir de 1 de janeiro de 2019. 

A repressão na avenida Champs-Elysees e em vários locais da cidade, incluindo Opera e Place de la Bastille, se utilizou de granadas de efeito moral, gás lacrimogêneo e canhões de água enquanto a resposta dos trabalhadores veio lojas como Chanel, Dior e Apple depredadas e incendiadas. Os protestos, que começaram há duas semanas motivados pelo anúncio da alta de impostos sobre os combustíveis, cresceram rapidamente em todo o país e se tornaram um grito de insatisfação generalizada. Uma das principais reclamações dos representantes é de que moram no meio rural e não têm alternativas de transporte, como os parisienses.

Um manifestante aposentado disse: “O governo não está escutando. A revolução não pode acontecer sem violência” […]

“Os coletes amarelos triunfarão” / Foto: Aurélien Morissard

O movimento nacional está em andamento há mais de duas semanas, com manifestantes instalando bloqueios de estradas em todo o país, reduzindo significativamente o tráfego e a entrega de mercadorias. Não há nenhum grupo político afiliado ao movimento. Há uma disputa nas ruas entre grupos de extrema direita e a extrema esquerda nos protestos. A disputa também se dá no âmbito eleitoral, onde o líder do partido de esquerda radical A França Insubmissa, Jean-Luc Mélenchon, disse que anulou uma viagem ao México para se manifestar em Paris com o grupo. Já a líder do partido de extrema-direita, Reagrupamento Nacional, ex-Frente Nacional (que inclusive apoiou o regime nazista), Marine Le Pen, disse que apoia o movimento, mas que não irá às ruas com eles.

Mélenchon disse que os franceses estão chateados, mas não são fascistas, para evitar que o movimento seja recuperado pela extrema direita. Algo que, segundo analistas, já vem acontecendo. O movimento está em disputa e não é, pelo menos não ainda, de direita nem extrema direita. É uma categoria lutando por direitos e o que se vê é que há uma disputa nas ruas entre esquerda e direita, inclusive identificado em pichações pelas cidades.

Apesar do apoio generalizado do público aos “coletes amarelos” – que levam o nome das jaquetas de alta visibilidade que todos os motoristas da França devem levar em seus veículos –, Macron se diz firme em não ceder aos protestos. Emmanuel Macron foi apelidado de “presidente dos ricos” e fora de contato com os eleitores da classe trabalhadora.

O presidente Emmanuel Macron pediu ao primeiro-ministro Edouard Philippe que mantivesse conversações com partidos políticos e líderes de protesto. No entanto, Paris também está aparentemente determinado a manter seu atual plano de reformas. “Nós não vamos mudar de rumo. Temos certeza disso”, disse Griveaux, um dos aliados políticos mais próximos de Macron, insinuando que o governo estava considerando a imposição de um estado de emergência sobre os protestos e de não atender às reivindicações dos trabalhadores. As forças de segurança foram atacadas, lojas pilhadas, edifícios públicos e privados incendiados, e símbolos como o Arco do Triunfo foi pichado. A revolta dos “Gilets Jaunes” (“Coletes Amarelos”) se espalharam pelo país, de Charleville Mezieres, no nordeste, a Marselha, no sul.

Paris, França, 1° Dezembro, 2018 / Foto: Stephane Mahe

Paris, França, 1° Dezembro, 2018 / Foto: Stephane Mahe

Paris, França, 1° Dezembro, 2018

Em Toulouse

Mais de 50 pessoas, a maioria policiais, ficaram feridas em Toulouse durante os protestos contra a alta dos preços dos combustíveis. Cinco agentes da repressão foram hospitalizados. A manifestação dos “coletes amarelos” se transformou em um conflito contra a repressão policial, fazendo com que a cidade do sul da França parecesse um campo de batalha, assim como Paris. Dezesseis pessoas foram presas após os confrontos. A cidade de sudoeste da França foi palco de um confronto de horas no sábado, com os manifestantes erguendo barricadas e fogueiras nas ruas de Toulouse.