O mês de outubro foi marcado por uma série de ações antifascistas na . Os protestos foram motivados pelo assassinato do artista e ativista LGBT Zak Kostopoulos, de 33 anos, linchado até a morte em uma joalheria de Atenas. O repúdio ao crescimento da extrema-direita no país e ao sistema eleitoral também deram a tônica dos atos.

Em 6 de outubro, a Organização Combativo (ORMA) realizou uma intervenção no bairro de Pangrati, na capital grega, distribuindo o novo número da revista “Alerta Antifascista” e conversando com pessoas em praças, cafés e lojas.

Militantes da Organização Antifascismo Combativo (ORMA) realizam intervenção em Atenas

“A lista de vítimas dos ataques de assassinato extremistas está em constante crescimento, por isso não devemos descansar. Nenhum ataque fascista ficará sem resposta. Eliminaremos todos os bolsões da extrema direita. Não permitiremos que qualquer grupo político fascista saia às ruas tranquilamente”, afirma um trecho de um comunicado da ORMA.

Por volta do mesmo período, manifestantes atacaram com paus, pedras e marretas a academia “Iron Fist Club”, na região de Attica, também em Atenas. O estabelecimento é de propriedade de Andreas Markakas, membro da milícia fascista Propatria, e ponto de encontro de ultradireitistas.

Em 22 de outubro, grupos antifa realizaram nova panfletagem, desta vez no subúrbio ateniense de Korydalos. “Não permitiremos qualquer espaço fascista em construção em nossos bairros. As intervenções continuarão.” declarava um dos materiais distribuído pelos militantes.

As eleições legislativas e presidenciais acontecerão na Grécia em maio de 2019. Por essa razão sedes e comitês da extrema direita estão sendo criados em cidades gregas, seguindo as dinâmicas do período pré-eleitoral.

O assassinato de Kostopoulos

Zak Kostopoulos, ativista LGBT espancado até a morte na Grécia

As circunstâncias da morte de Zak Kostopoulos, em 22 de setembro, ainda estão sob investigação, mas imagens de câmeras de segurança divulgadas na internet, mostram o ativista sendo linchado por um grupo de pessoas.

No vídeo, Kostopulos é visto preso dentro de uma joalheria na rua Gladstonos, perto da central Praça Omonia. Ele estava segurando um extintor de incêndio e tentando sair pela porta da frente quando uma multidão começou a se reunir do lado de fora, incluindo o dono da loja.

Não conseguindo se libertar, Kostopoulos tentou sair pela janela da loja, o que fez com que caísse de joelhos. Enquanto se arrastava através do vidro quebrado, o lojista e outro homem começaram a chutá-lo repetidamente, deixando-o deitado na calçada.

Segundo testemunhos, polícia estava na proximidade do incidente, mas não protegeu o rapaz. Pelo contrário, algemaram-no e o atingiram com mais chutes.

A filmagem termina com o ativista recebendo atendimento dos paramédicos, deitado de lado em uma maca, com os braços algemado para trás. Kostopoulos morreu antes de chegar a um hospital

As publicações de notícias locais inicialmente se referiam à vítima como um “viciado em drogas” que estaria tentando roubar a loja “armado com uma faca”, mas seus amigos rejeitaram fortemente essa versão.

O ativista LGBT + Gregory Vallianatos escreveu em sua página no Facebook que Kostopoulos entrou na loja buscando refúgio de alguma ameaça não especificada que ele enfrentou em uma loja do outro lado da rua.

Outro amigo de Kostopoulos, Stavros Tsioros, lembrou o ativista como “um grande lutador pelos direitos da comunidade LGBT +”. Kostopoulos frequentemente se apresentava como drag queen sob o nome de Zackie Oh e sempre falava sobre sua experiência de viver como soropositivo em palestras e comícios.

Um grupo de admiradores e amigos prestou homenagem no enterro do artista, que aconteceu na manhã de 25 de setembro.  Na Grécia, é tradição jogar um punhado de terra no caixão do morto. A despedida de Zak, no entanto, foi diferente e colorida. A jornalista e amiga Christina Michalou conta que os presentes jogaram glitter em vez de terra em cima do corpo.

“No final, a sepultura não era mais marrom, era rosa, azul e púrpura. Tinha brilho e pequenas bandeiras gays por toda parte”, afirma a moça, que também se lembra de ter visto algumas drag queens jogando perucas no túmulo.

(Fonte: Agência de Notícias Anarquistas)