Milhares de pessoas se reuniram neste domingo (14) no Centro do para homenagear a defensora de direitos humanos Marielle Franco brutalmente executada há sete meses. Além do descaso público na investigação de seu assassinato, houve recentemente um grande desrespeito à sua memória quando o deputado estadual eleito Rodrigo Amorim (PSL) e o deputado federal eleito Daniel Silveira (PSL) quebraram a placa de rua em que constava o seu nome como homenagem, em um comício do candidato ao governo do Rio (PSC). Todos ligados ao fascista , candidato à presidência da república.

Em resposta, a placa foi recolocada temporariamente por sua companheira Mônica Benício e mais mil placas com seu nome foram distribuídas nesse mesmo local. As bandeiras de luta por justiça, memória e verdade que remontam ao final da ditadura militar no Brasil nunca deixaram de estar presentes para negros e pobres da periferia, mostrando que a democracia nunca existiu neste país, principalmente para essa parcela da população, a qual convive diariamente com uma guerra interna promovida pelo Estado brasileiro e a falácia de guerra às drogas.

O do povo negro, legitimado pelo institucional, mostra sua face cruel nas altas taxas de homicídio dessa população, mas também na impunidade desses crimes e na criminalização das vítimas, que precisam lutar até pelo direito à memória, como é o caso de Marielle. Brasil é o país das Américas que mais mata defensores de Direitos Humanos, segundo um relatório da Anistia Internacional. O relatório chama atenção para o aumento dos assassinatos de defensores de Direitos Humanos nos últimos três anos. Até agosto de 2017, cinquenta e oito ativistas foram assassinados.

“[…] Eu acho que no fundo a gente está retornando ao horizonte de 1964 porque nós não conseguimos terminar com a ditadura. A ditadura se acomodou a um horizonte de democracia formal mas no subterrâneo ela estava lá, presente e conservada. As polícias continuaram [a ser] polícias militares, os torturadores continuaram nas polícias, as Forças Armadas continuaram intocadas, nenhum torturador foi preso, você não obrigou os setores fascistas da sociedade a se culpabilizar pelo apoio que eles deram, você preservou os grupos políticos ligados à ditadura. Claro que isso era uma bomba relógio, que iria estourar em algum momento”, filósofo Vladimir Safatle.

A revolução vingará Marielle e é a justiça revolucionária que acabará com mais essa injustiça.

O Estado brasileiro é uma verdadeira máquina de matar. A polícia militar brasileira, por exemplo, é a qua mais mata em todo o mundo. No ano de 2016, 62.517 pessoas foram assassinadas no Brasil, o que equivale a uma taxa de 30,3 mortes para cada 100 mil habitantes. Os dados são do Ministério da Saúde e foram divulgados no Atlas da Violência 2018, apresentado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Desses mais de 62 mil assassinatos apenas 8% dos casos são investigados, o que quer dizer que 92% dos crimes mais graves sequer são submetidos aos procedimentos judiciários, pois não há elementos para formular acusação. Portanto, esperar que o assassinato de Marielle e Anderson seja solucionado por vias do próprio Estado é praticamente irreal, ainda mais quando seus agentes são apontados por muitos como os possíveis autores do crime. Fica evidente que não será esse mesmo Estado que trará justiça à Marielle e aos milhares de pobres e negros criminalizados, torturados e assassinados sistematicamente por todos os tipos de violência social.

É importante destacar que não existe caminho pela burocracia que nos leve à justiça, quando você se depara com um judiciário totalmente comprometido pelos interesses das classes dominantes e estruturalmente racista.

Brasil tem vivido um crescimento exponencial de violência fascista provocada por indivíduos e grupos de apoiadores da família Bolsonaro. O candidato de extrema direita venceu o 1° turno das eleições presidenciais com quase 50% dos votos e tem grande chance de chegar ao poder. O que será algo quase inédito, um verdadeiro regime militar através do voto, tudo de acordo com as instituições democráticas.

O maior problema não é termos uma extrema direita em ascensão, a questão que devemos pontuar é que não há uma extrema esquerda organizada para operar uma balança nessa luta. Eles atacam e não há resposta. Os relatos de insultos, agressões e tentativas de assassinato se multiplicam desde o dia 7 de outubro, após o resultado vitorioso da extrema direita no 1° turno. Contra o fascismo não há diálogo.