Nesta segunda-feira (14) cerca de 50 mil palestinos protestaram contra a embaixada dos Estados Unidos da América (EUA) em Jerusalém, aberta oficialmente hoje. O Estado de promoveu mais uma chacina contra o povo palestino na Faixa de Gaza ao longo da fronteira. Até o momento são 55 pessoas assassinadas e milhares de feridos. Mais de 1.200 foram baleados e feridos, com 116 em estado grave ou crítico. Cerca de 1.000 outras pessoas sofreram outros tipos de ferimentos, incluindo gás lacrimogêneo, disseram fontes palestinas.

A marcha também reivindica o território palestino, hoje completa 70 anos da invasão israelense e a criação de um verdadeiro Estado terrorista, o Estado de Israel, que tem como seu principal aliado os EUA. Milhares de palestinos reuniram-se em vários pontos da fronteira e rapidamente surgiram focos de violência por parte do israelense, que patrulha as barreiras de segurança. Franco-atiradores abriram fogo contra os manifestantes desarmados. O reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel e a transferência da embaixada instalada até agora em Tel-Aviv foram anunciados por Donald Trump, presidente dos EUA, no dia 06 de dezembro de 2017.

A continuou mesmo diante de um exército assassino, que com armas de fogo atiram em pessoas desarmadas. Os manifestantes queimaram pneus e jogaram pedras nos soldados, tentando se aproximar da cerca. Jatos e tanques de combate do exército israelense (IDF, sigla em inglês) atacaram alvos do Hamas (organização política islâmica ) em um campo de treinamento em Jabalia, no norte da Faixa de Gaza, após tentativas de responder às agressões diárias  e colocar explosivos em cima do muro contra os terroristas do Estado de Israel.

Uma geral também foi declarada na Faixa de Gaza na segunda-feira — com escolas e instituições de ensino superior fechada para o dia — para que os moradores pudessem ir ao . Na Cisjordânia, dezenas de palestinos atiraram pedras contra as forças do IDF em Nablus, Ramallah e Hebron.

O governo palestino em Ramallah acusou Israel de cometer um massacre horrível e declarou um dia nacional de luto, a ser realizado na terça-feira (15). E pediu “intervenção internacional imediata e urgente para impedir o massacre cometido pelas forças de ocupação israelenses contra os manifestantes em Gaza”. O primeiro-ministro palestino, Rami Hamdallah, acusou os Estados Unidos de “violações flagrantes do direito internacional”.

Este é o dia mais mais violento desde que os palestinos iniciaram uma onda de protestos há sete semanas — no dia 30 de março, foram 23 palestinos assassinados e mais de mil feridos. Ao todo, já são mais de 90 mortos e 10 mil feridos no período. Chamados de “a grande marcha de retorno”, os atos têm como principal alvo o aniversário de 70 anos da invasão e criação do Estado de Israel , que ocorre nesta segunda (14) de acordo com o calendário gregoriano (a comemoração ocorreu em abril no calendário judaico). A data será comemorada em Jerusalém exatamente com a transferência da embaixada americana para a cidade, o que demonstra uma óbvia provocação ao povo palestino.

Embora Jerusalém seja oficialmente a capital de Israel, a maior parte da comunidade internacional mantém suas embaixadas em Tel-Aviv e defende que o futuro da cidade deve fazer parte das negociações de paz entre israelenses e palestinos. O presidente americano Donald Trump, porém, rompeu com essa tradição e anunciou em dezembro que faria a mudança da embaixada para Jerusalém, decisão que foi alvo de críticas não só dos líderes palestinos, mas também de diversos aliados europeus e da Rússia, para quem a transferência pode intensificar a violência na região.