No dia 03 de maio, a Cidade de Deus, Zona Oeste do , viveu mais dias de terror policial em mais uma “operação vingança” da polícia, depois que um capitão da PM morreu nas proximidades da região. Quatro pessoas foram assassinadas e cerca de oito ficaram feridos. Os relatos de abusos e esculachos correram a , desde ameaças até invasões de casas aterrorizando a população. Em menos de 1 hora, o BOPE invadia a gritando “é guerra, é guerra”, segundo testemunhas. Escolas, postos de saúde e vias expressas foram fechadas.

O oficial da polícia militar lotado no 18°BPM (Jacarepaguá) foi morto na Avenida Geremário Dantas, cruzamento com a Estrada do Capenha e Rua Edgard Werneck, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, na manhã da quinta-feira (3), em uma tentativa de assalto e a “conta” caiu para a Cidade de Deus. O PM estava em uma moto descaracterizada, não tinha identificação da polícia, portanto, não há provas de que o agente morreu por ser policial.  Sendo assim, a pergunta que fica é: por que invadir a Cidade de Deus?

O Comando de Operações Especiais (COE), o 18ºBPM (Jacarepaguá), o Batalhão de Operações Especiais (Bope)  e a UPP Cidade de Deus realizaram a “operação vingança” na favela. Uma das provas de como funciona a polícia carioca está na mensagem do próprio Comandante do Batalhão, Coronel Marcos Neto:

“Quero pedir a todos vocês que se empenhem ao máximo, buscando quem quer que seja, em qualquer buraco, viela, casa, seja lá onde for, os assassinos […] A guerra será sem trégua […]”

Sem qualquer prova ou indício de que a Cidade de Deus tenha algo a ver com o crime, a favela é mais uma vez criminalizada e atacada pelo terrorismo policial. É tratada como uma localidade onde só há criminosos. A jornalista Marina Araújo, da Rede Globo, diz “quatro pessoas, quatro criminosos morreram”, induzindo que os mortos não são pessoas, são criminosos – não há nome, identidade, qualquer informação para saber quem são estas pessoas e se de fato possuíam algum envolvimento com o tráfico. E ser ou não do tráfico, não justifica as mortes. O Comandante fala de “guerra sem trégua” que, na prática, representa guerra contra o povo, contra a população pobre da cidade.

Moradores protestaram contra a ação da polícia na Cidade de Deus, com graves relatos:

“Botaram minha mão pra trás e ficaram pisando nas minhas costas e na minha mão, leke, enquanto revistavam meu carro, mano […] logo em seguida vem um maluco com carrinho de feira, aqueles carros grandes de feira, com uns dez cadáveres, mano […] Caralho, mano, os caras do BOPE são muito ruim, mano”

Mais depoimentos de moradores da Cidade de Deus: