Nessa terça-feira (03) os sindicatos dos setores de transportes da França impulsionaram uma importante greve, que foi incorporado não somente pelos trabalhadores ferroviários. A mobilização também chegou nos transportes aéreos e nos setores de energia elétrica e gás. A manifestação em Paris, capital do país, em apoio à greve, reuniu estudantes do ensino médio, universitários, trabalhadores ferroviários, funcionários públicos e aposentados. Para tentar conter o protesto a repressão policial agrediu diversos manifestantes e lançou bombas de gás lacrimogêneo. O enfrentamento foi inevitável diante da revolta popular. A população resistiu e fez a polícia recuar em várias situações de confronto.

Contra reformas, ferroviários e trabalhadores dos setores de energia e gás prometem duas paralisações por semana durante três meses. Os ferroviários iniciaram hoje o primeiro dia de uma greve que prometem ser de três meses, sendo hoje o início de uma luta intensa de reivindicações dos trabalhadores dos trens. As paralisações vão se repetir por mais vezes, a cada cinco dias até o mês de junho. Esses protestos provocarão grandes agitações entre os trabalhadores na luta por seus direitos. Linhas para Espanha, Suíça e Itália estão na lista de mais agitação e paralisação em prol da greve.

“O projeto de acordo sobre a organização do trabalho não inclui as reivindicações dos trabalhadores grevistas ferroviárias”, e os trabalhadores continuam “o projeto de acordo desenvolvido tinha apenas pontos para degradar a vida cotidiana dos ferroviários”

A França é presidida pela direita, representada pelo ex-banqueiro Emmanuel Macron, que tem um sua história política o apoio há reformas pró-empresariado. Macron enfrenta a primeira onda de greves contra seu governo. A mais importante paralisação começou nesta terça-feira, organizada pelos sindicatos dos ferroviários, uma categoria que tem o poder de parar parcialmente o país. O movimento é uma reação ao projeto de reforma discutido pelo governo Macron, que prevê o fim do estatuto exclusivo de aposentadorias – maquinistas se aposentam aos 52 anos –, o fim da estabilidade no emprego e a extinção de benefícios, como bilhetes grátis de trem para toda a família. Além disso, o projeto prevê o fim do monopólio da companhia e a abertura à concorrência internacional, em acordo com a União Europeia.

Essa paralisação teve início com o encerramento do feriado prolongado de Páscoa na França. Um total de 77% dos maquinistas da SNCF, companhia nacional ferroviária, deve cruzar os braços em um movimento de greve inédito desde os anos 1990. Insatisfeitos, os sindicatos da categoria programaram um calendário intenso de greve. Entre abril, maio e junho – início do período de férias na Europa –, os grevistas deixarão de trabalhar dois dos cinco dias úteis. O resultado prático será uma esperada pane no transporte público francês, essencialmente férreo (30 mil quilômetros de linhas funcionais e 15 mil trens circulando por dia).

A promessa dos sindicatos é impedir a circulação de sete a cada oito Trens de Grande Velocidade (TGVs, os trens-bala) e de quatro em cada cinco Trens Expressos Regionais (TER, que irrigam o interior do país). Uma greve de transportes é quase uma greve geral na França. Os reflexos do primeiro dia da greve já puderam ser sentidos no país. Só um de cada quatro trens estava circulando na região de Paris, disse a SNCF. As plataformas da Gare du Nord, a estação de trens mais movimentada da capital, ficaram cheias e quem tentou evitar os trens enfrentou trânsito nas estradas.

Outros setores

Trabalhadores dos setores de energia elétrica e gás juntaram-se ao calendário de greves, não apenas apoiando o estatuto exclusivo da SNCF, mas sua extensão a todo o funcionalismo público. Os dois setores são estratégicos, porque envolvem também a EDF, companhia que gere as plantas de energia nuclear, responsáveis por mais de 70% da eletricidade distribuída no país. Os movimentos no setor público, que envolvem também a limpeza urbana e universitários contra a criação de um sistema de seleção para ingresso na universidade pública, serão seguidos por trabalhadores de empresas privadas, como os trabalhadores da companhia aérea Air France e o gigante Carrefour.