PM mata mais um trabalhador na favela da Rocinha, no Rio

Quero que as armas sejam apreendidas, porque a bala foi achada. A bala que atingiu meu marido e quase atingiu o meu filho foi achada, afirma um dos familiares.

Foto: Reprodução

No fim da tarde de quinta-feira (29), o ajudante de pedreiro Davidson Farias de Sousa, 28 anos, foi assassinado por policiais militares Batalhão de Choque na . Davidson foi enterrado na tarde deste sábado (31) no Cemitério São João Batista, em Botafogo, na zona sul do Rio. “Bandido dá tiro de cima para baixo. O tiro foi de baixo para cima. Não tem lógica querer reverter. Quero que as armas sejam apreendidas, porque a bala foi achada. A bala que atingiu meu marido e quase atingiu o meu filho foi achada. E não foi à toa”, afirmou um dos familiares, desmentindo a versão da PM de que ocorria um tiroteio na localidade na hora do crime. O caso ocorre menos de uma semana depois de uma chacina realizada pelo mesmo batalhão na , na qual foram executados oito moradores.

“Vão dizer que confundiram meu filho com uma arma? É o que eles vão alegar”, se indignou a viúva.

Davidson estava com o filho no colo, de apenas seis meses de idade, quando foi baleado pela polícia. O bebê caiu no chão e foi atendido, mas não teve ferimentos graves. “Mas meu filho está chorando toda noite porque dormia agarrado com o pai dele”, disse esposa de Davidson, Adriana Santos, em lágrimas.

Dióge Farias, irmão de Davidson / Foto: Reprodução

Dióge, irmão de Davidson, afirma que a PM nem sequer ajudou a socorrê-los. “Foi o Choque quem matou meu irmão. Nenhum PM foi socorrer. Ainda nos apontaram arma quando descemos com o corpo”, lembrou. “A bala tem numeração. Queremos justiça”, acrescentou. A família entregou para a Polícia Civil a bala e três cápsulas encontradas na varanda onde o ajudante de pedreiro estava com o filho.

“Não tenho medo de falar isso, que foi o Choque que atirou. Estão tirando vida de trabalhadores, estamos cheios de indignação”, indignou-se Diego.

“Escutei disparos e, quando olhei, meu irmão já estava caído, vi os policiais correndo. Muitas pessoas disseram que viram os disparos. Por que não recolheram arma da polícia para fazer perícia? Temos certeza de que foram eles, do Choque; as balas estão aí pra provar. Foram três disparos. Tinha três pessoas na hora, miraram na gente. Tem explicações?”, disse Dióge.

“Meu irmão era muito alegre, teve filho há 6 meses, levava filho pra avó dar a bênção. Aí acontece uma covardia dessa. A gente quer justiça, queremos que os responsáveis sejam punidos”, afirmou.

Diego Farias, outro irmão da vítima, fez um protesto na porta da 11ª Delegacia Polícia (Rocinha), mostrando a camisa ensanguentada que Davidson usava no momento em que foi atingido. “Escutei disparos e, quando olhei, meu irmão já estava caído, vi os policiais correndo. Muitas pessoas disseram que viram os disparos. Por que não recolheram arma da polícia para fazer perícia? Temos certeza de que foram eles, do Choque; as balas estão aí pra provar. Foram três disparos. Tinha três pessoas na hora, miraram na gente. Tem explicações?” lembrou.

Amigos e familiares carregam a camisa ensanguentada de Davidson / Foto: Reprodução

Uma outra testemunha também confirma a versão da família: “Os policiais do Batalhão de Choque chegaram atirando, não tinha tiroteio aqui. Ele estava segurando o filho no colo quando foi atingido na barriga”. Ela denuncia ainda que os policiais se negaram a prestar socorro: “Quando os policiais viram que ele tinha sido atingido foram embora”.

“A bala que atingiu meu marido e quase atingiu o meu filho foi achada” cobrou Adriana Santos. “Papai está só dormindo, papai está só dormindo” repetia para o filho, diante do caixão do marido.

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