Rio de Janeiro, 06.02.2018 | Jeremias Moraes da Silva, criança de apenas 13 anos assassinada hoje em mais uma operação da polícia militar no Conjunto de Favelas da Maré, zona norte da cidade.

* BOPE ASSASSINA MENINO DE 13 ANOS NA MARÉ

Agentes do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) da Policia Militar do Rio de Janeiro assassinaram, na tarde desta terça-feira, o garoto Jeremias Moraes da Silva, de 13 anos. O crime aconteceu durante uma invasão policial ao Conjunto de Favelas da Maré, na zona norte da cidade.

Jeremias, que foi baleado na favela Nova Holanda, foi levado de Caveirão ainda vivo primeiro até o 22° BPM (Maré). Em seguida, foi conduzido para o Hospital Souza Aguiar, no Centro, onde já teria chegado morto, segundo a Secretaria Municipal de Saúde. Ainda não há informações sobre a data e local de enterro da vítima.

Abalada com a perda do filho, Vânia Moraes, 39 anos, voltava de um enterro de um amigo quando soube que Jeremias tinha sofrido um tiro. “É só voltar às aulas que começa esse inferno. Parece que eles combinam que quando as crianças voltam às aulas tem que ter operação na comunidade”, protestou a mãe. Getúlio Cardoso, diácono da igreja em que Jeremias frequentava, expressou a revolta com a perda do rapaz.

“Um jovem cheio de alegria. Era contagiante a energia dele. Ele é mais um negro. Não vem me falar que foi tiro de raspão ou bala perdida. O caveirão veio da rua larga, estava tendo operação na Vila do Pinheiro, viram um negrinho e alvejaram com um tiro no peito. O estado matou mais um, o nosso Jeremias, por causa de sua cor”, afirmou.

A invasão policial durou cerca de quatorze horas e se estendeu por nove favelas: Vila do João, Baixa do Sapateiro, Nova Maré, Timbau, Fogo Cruzado, Vila do Pinheiro, Conjunto Pinheiro, Salsa e Merengue e Conjunto Esperança. Ainda não se sabe ao certo o total de mortos e de feridos.

Moradores criticaram o tratamento dado ao assunto pelas grandes empresas de jornalismo, mais preocupadas com as condições de trânsito do que com a vida dos favelados. “Ai pra fechar com chave de ouro a repórter disse que hoje foi um dia difícil […] ‘porque as pessoas ficaram impedidas de transitar pelas 3 vias expressas que cortam a Maré’. Oi? Sério isso?” afirma texto da página de comunicação comunitária Maré Vive.

“Alguém avisa pra essa senhora que a gente tá debaixo de tiro desde 6h da manhã. A polícia esculachou várias casas, deram tiros a esmo, furaram as piscinas das crianças, tacaram tijolo em pessoas que buscavam por seus direitos, furtaram objetos, pixaram o muro de várias residências com a sigla da facção rival, derrubaram motos, arrombaram carros… e diversos outros absurdos que não aconteceriam se não fosse na favela”, denuncia a página.

#maré #terrorismodeestado #violênciapolicial
* Atualizado – 07.02 às 12h