Biografia do anarquista insurrecional S. Di Giovanni

Di Giovanni nasceu em 17 de Março de 1901 na região dos Abruzos, Itália, a 180 quilômetros a leste de Roma. Durante sua infância se viu fortemente impactado pelas imagens do pós-guerra (Primeira Guerra Mundial): fome, pobreza e soldados mendigando pelas ruas. Severino começou a se rebelar desde pequeno contra qualquer tipo de autoridade. Autodidata, ainda na Itália foi professor sem titulação e tipógrafo. Desde jovem teve contato com as ideias anarquistas através de textos impressos de Bakunin, Malatesta, Proudhon, Kropotkin e Élisée Reclus. Com dezenove anos, Di Giovanni ficou órfão e em 1921 — aos vinte anos — se entregou integralmente à militância anarquista.

Em 1922 o de Mussolini se impôs na Itália e a censura e perseguições aos anarquistas obrigaram Severino a se exilar junto com sua família na Argentina. Instala-se na grande comunidade de expatriados italianos na cidade de Buenos Aires. Ali se empenha na atividade antifascista, e depois, estimulado pelo assassinato de Sacco e Vanzetti, o jovem começa a acender o fusível na dinamite da vingança.

A partir de maio de 1926, até a sua morte por meio de um esquadrão de fuzilamento, em 1º de fevereiro de 1931, realizou uma campanha de bombardeios e propaganda anarquista, financiada pelas ações de expropriação de bancos. Isso inclui não apenas publicar o célebre jornal Culmine enquanto fugia da polícia, mas também estabelecendo uma gráfica para publicar clássicos anarquistas, produzindo o primeiro volume da coleção Elisee Reclus.

Severino Di Giovanni, uma das vozes mais fortes em apoio à Sacco e Vanzetti na Argentina, bombardeou a embaixada americana em Buenos Aires, algumas horas depois de Sacco e Vanzetti terem sido condenados à morte. Em 26 de novembro de 1927, Di Giovanni e outros militantes bombardearam uma loja de tabaco, Combinados. Em 24 de dezembro de 1927, Di Giovanni explodiu a sede do Citibank e o Bank of Boston, em Buenos Aires, em aparente da execução. Em dezembro de 1928, Di Giovanni e outros falharam na tentativa de bombardear o trem que transportava o presidente eleito Herbert Hoover.

Em seu último panfleto Di Giovanni escreveu: “Saibam Uriburu (José Félix Benito Uriburu foi um militar e Presidente da Argentina) e sua horda fuziladora que nossas balas buscarão seus corpos. Saibam o comércio, a indústria, os bancos, os latifundiários e os fazendeiros que suas vidas e posses serão queimadas e destruídas”

Di Giovanni é uma figura de interesse para qualquer um que sonha em tornar real o desejo de atacar. No entanto, ele é quase inteiramente desconhecido para muitos anarquistas. O jovem revolucionário acreditava ser a revolução violenta um mal necessário, como pode ser comprovado em um trecho de sua última mensagem, escrita em sua cela poucas horas antes de ser assassinado:

“[…] Não busquei afirmação social, nem uma vida acomodada, tampouco uma vida tranquila. Para mim elegi a luta. Viver em monotonia as horas mofadas dos medíocres, dos resignados, dos acomodados, das conveniências, não é viver, é somente vegetar e se mover na forma ambulante um monte de carne e de ossos. À vida é necessário brindá-la com a sublime elevação do braço e da mente. Enfrentei a sociedade com suas próprias armas, sem abaixar a cabeça, por isso me consideram, e sou, um homem perigoso.”

Biografia [em inglês]: http://bit.ly/2DTp4Bw

Nascimento e morte.
Chieti, 17 de Março de 1901 — Buenos Aires, 1 de Fevereiro de 1931.

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