Nesta segunda-feira (5), ato em solidariedade ao povo venezuelano reuniu milhares de pessoas no Centro do Rio de Janeiro. Foram convocadas diversas manifestações nas capitais do país após o sequestro de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos (EUA).
O protesto se concentrou na Cinelândia e, em seguida, a manifestação marchou pelas ruas do Centro até o Consulado dos EUA, que fica na rua Presidente Wilson. A marcha seguiu com gritos de ordem como “Fora ianque da América Latina” e “Fora Trump da América Latina”. Uma enorme bandeira da Venezuela foi estendida durante o ato.
Durante o ato, manifestantes queimaram a bandeira dos EUA em apoio à Venezuela.
Além do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, sua esposa, a primeira-dama Cilia Flores, também foi sequestrada no último sábado (3), quando tropas estadunidenses atacaram a capital Caracas.
O ataque à capital e o sequestro de Maduro – levado à força para uma prisão em Nova York com a esposa pelo Exército dos Estados Unidos –, foram anunciados pelo presidente de extrema direita Donald Trump na manhã de sábado.
Trump não escondeu o principal objetivo durante seu pronunciamento, o de se apossar do petróleo venezuelano e dar início a uma política de privatização das estatais do país. Foi a primeira vez que os EUA realizaram uma intervenção militar direta, com bombardeios sobre a América do Sul, embora tenha apoiado diversos golpes militares na região, como o de 1964 no Brasil.
A manifestação foi organizada pela Frente de Esquerda Anti-imperialista em Solidariedade à Venezuela, formada por cerca de 50 entidades.

Invasão e sequestro
Maduro é acusado de suposto narcoterrorismo, venda de drogas para os EUA, posse e conspiração para obter armas automáticas. Em audiência, na segunda-feira (5), em um tribunal de nova-iorquino, o presidente da Venezuela se declarou inocente de todas acusações e disse ser um prisioneiro de guerra.
A alegação estapafúrdia de Trump é a de que o casal “chefiava um cartel de narcotráfico”, versão derrubada pelo próprio governo dos EUA. Em coletiva, Trump declarou abertamente que seu país passaria a controlar o petróleo venezuelano e que passaria o comando para empresas estadunidenses. E que “administraria” a Venezuela.
A invasão à Venezuela e sequestro de Maduro deixou evidente a política dos EUA, de pressão constante e chantagens contra os países da América Latina não alinhados às suas políticas.
No domingo (4), Brasil, Chile, Colômbia, Uruguai, México e Espanha divulgaram nota condenando a invasão dos EUA à Venezuela, lembrando que contraria princípios fundamentais do direito internacional, em particular a proibição do uso da força, o respeito à soberania e à integridade territorial dos países. A nota reitera que a situação na Venezuela deve ser resolvida exclusivamente por meios pacíficos, por meio do diálogo, da negociação e do respeito à vontade do povo venezuelano.
Durante o pronunciamento, afirmou também que a economia petrolífera na Venezuela está um “fracasso” e acrescentou que os EUA estão “prontos” para realizar um segundo ataque “muito maior” ao país, se necessário. Trump deixou claro que poderia agir da mesma forma contra a Colômbia, cujo presidente é Gustavo Petro, a quem também chamou de narcotraficante. E à Cuba.
